Opinião
Sem perspectivas
De acordo com o relatório Perspectivas Econômicas da América Latina (OCDE), um em cada cinco jovens entre 15 e 29 anos no continente nem estuda nem trabalha. No Brasil, não é diferente. Levantamento feito pelo Instituto Ayrton Senna revelou que um em cada dez jovens de 15 a 17 anos está fora da escola e também não tem ocupação. A pesquisa sobre os jovens da chamada geração ?nem-nem? mostrou, ainda, que 81% deles não estão procurando emprego. O percentual de adolescentes sem uma ocupação é parecido em todas as regiões do Brasil. O Estado que lidera esse ranking em todo o País é Alagoas, onde 17% dos jovens estão nessa situação. As meninas representam a maioria entre os adolescentes que não estão nem trabalhando, nem estudando. O que leva três em cada dez meninas, nessa faixa etária, a abandonar a escola é a maternidade. Os dados mostram que os jovens latino-americanos não se beneficiaram tanto quanto esperado da chamada ?década de ouro?, que incorporou milhões de pessoas à classe média. A pobreza e a marginalização se alimentam especialmente com essa geração. Nos últimos anos, graças ao aumento do preço das matérias-primas, as chamadas ?commodities?, e políticas de inclusão social, a América Latina, e o Brasil em especial, se transformou uma das grandes promessas do planeta. A classe média aumentou, o comércio e o setor de serviços se desenvolveram e milhões de pessoas saíram da pobreza. Tal qual a história bíblica de José do Egito, porém, depois dos anos de vacas gordas, veio o tempo de penúria. Começou com uma desaceleração e agora já é claramente uma recessão, que vem destruindo a maior parte das conquistas socioeconômicas desses tempos dourados. De acordo com o relatório da OCDE, o bloco mais vulnerável parece ser a juventude. Segundo a entidade, o principal problema é a desconexão dos jovens que abandonam a escola com o mundo do emprego formal, que nunca alcançam. O acesso à educação se expandiu nos últimos anos, mas não o suficiente. O Brasil, assim como a América Latina, avançou muito, mas o risco de estagnação e retrocesso é alto agora. Para os jovens que cresceram num período de bonança, é uma situação desalentadora e terá um efeito gravíssimo no futuro.