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Agress�o hedionda

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Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pela Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que o País registrou, em 2015, 45.460 casos de estupro, sendo 24% deles nas capitais e no Distrito Federal. O número representa uma queda de 9,9% em relação ao ano anterior, entretanto, a entidade ressalta que não é possível afirmar que realmente houve redução do número de estupros no Brasil, já que a subnotificação desse tipo de crime é extremamente alta. De qualquer forma, é um número espantoso, pois significa que uma pessoa é estuprada a cada cinco minutos no País. Para o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), muitas mulheres não denunciam o estupro. A revitimização de mulheres durante o processo jurídico, a péssima qualidade do atendimento das vítimas, o constrangimento a que são submetidas e a impunidade de agressores são agravantes do problema. Basta lembrar que uma pesquisa recente do Instituto Datafolha revelou que um em cada três brasileiros acredita que, nos casos de estupro, a culpa é da mulher. Segundo o levantamento, 33,3% da população brasileira acredita que a vítima é culpada. E para 30% dos homens, a mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada. Entre os homens, o pensamento ainda é mais comum: 42% deles dizem que mulheres que se dão ao respeito não são estupradas. A culpabilização da vítima também acontece entre as mulheres, que são as que mais sofrem com o crime: 32% concordam com a afirmação. Outro fator que pode mascarar os números, de acordo com a Cfemea, é a alta ocorrência desse tipo de crime dentro das próprias residências das vítimas ? sobretudo meninas menores de idade e normalmente abusadas por pais, padrastos, irmãos, tios ou primos. São casos muito mais delicados e que geralmente não são denunciados. O fato é que o estupro é uma prática hedionda que precisa ser combatida com todo o vigor, mas não é suficiente apenas a punição do agressor. É preciso enfrentar a cultura do estupro e do feminicídio também por meio da educação, com um debate transparente que deve começar em casa e prosseguir na escola e na própria sociedade. A situação exige uma mudança de mentalidade.

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