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Opinião

OS PRIVIL�GIOS E SUAS V�TIMAS

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Na Idade Média, o sistema feudal de trabalho condenava o trabalhador a repassar um tempo importante de seu suor diário, gratuitamente, para o seu patrão feudal. Assim como a primeira noite de uma jovem com um homem, quando perdia sua virgindade, era direito inalienável do mesmo Senhor Feudal, o seu noivo era submetido à humilhação de acompanhar a tudo silenciosamente. Os privilégios abusivos perduraram na Europa até que a sangrenta Revolução Francesa emergiu em decorrência desses intoleráveis privilégios, usufruídos pela monarquia e pelo clero francês, então afastado de seus ditames de comedimentos cristãos e contaminado com a sua convivência íntima com os vícios da nobreza. No Brasil, o culto apaixonado e raivoso pelos privilégios faz parte da cultura nacional, em especial das classes e categorias mais privilegiadas que ocupam cargos públicos, principalmente os mais beneficiados em termos não só financeiros, como em várias outras situações, como carga horária de trabalho, férias, períodos de afastamento do trabalho que recebem o nome de ?recessos? e garantem em média uma, duas ou três férias a mais. Ainda gozam em sua maioria de aposentadorias precoces, com pensões e benefícios variados para familiares, nem sempre tão próximos. A média de aposentadoria no Brasil é de 54 anos; na OCDE, organização que reúne os países mais ricos é de 65 anos. No serviço público as aposentadorias são ainda muito mais precoces. Salários mais altos e estabilidade no emprego são benefícios que ajudam as contas a não fecharem. No Japão os funcionários públicos mais bem pagos são os professores, no Brasil são os do Judiciário e Legislativo, aqueles que estão mais perto do poder, têm poder de pressão e de ameaças de greves. Gozam ainda de um benefício cujo valor é incalculável, inestimável, em um País em crise com doze milhões de desempregados, a estabilidade. Desafios concretos da maioria trabalhadora da iniciativa privada para manter os empregos, como a assiduidade, o desempenho e o mérito, não são exigências concretas no serviço público, e as repetidas greves, que tanto atormentam o cidadão comum, só agora, com o pronunciamento do Supremo, parece que vão ter alguma perspectiva de contenção minimamente digna, ainda, em muito dependendo do gestor público dos eternamente mobilizados para a greve. Em um País mergulhado em profunda crise, é extremamente deplorável a ausência de um mínimo de solidariedade de quem já goza de tantos benefícios.

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