Opinião
Inc�gnita
Contrariando a maioria das pesquisas, a torcida da grande mídia e dos mercados financeiros e a desconfiança de seu próprio partido, o bilionário Donald Trump foi eleito o novo presidente dos Estados Unidos da América. Tal qual George W. Bush em 2000, perdeu no voto popular por pequena margem, mas conquistou a Casa Branca graças ao sistema adotado no país, em que a eleição é definida por um colégio eleitoral formado por delegados que representam os estados. Ontem, o mundo inteiro ainda tentava entender o que havia acontecido. Há um clima de perplexidade e receio do que virá a partir de janeiro de 2017. Afinal, o então candidato Trump protagonizou uma campanha recheada de promessas que podem ser vistas como ameaças ao mundo como o conhecemos. Entre os pontos polêmicos estão a construção de um muro enorme entre os Estados Unidos e o México (com a conta da obra paga pelos mexicanos), a deportação de 11 milhões de imigrantes ilegais, a revogação de restrições ambientais a atividades econômicas e o protecionismo como forma de gerar mais empregos no país. Historicamente, o Partido Republicano defende o livre comércio e se opõe a medidas protecionistas. Trump, entretanto, inverteu essa lógica ao propor renegociar os acordos comerciais firmados pelos EUA para preservar empregos no país e reduzir o deficit americano nas transações com o resto do mundo. Se o empresário colocar essas ações em prática, o Brasil poderia ser prejudicado. O magnata conquistou o apoio de um grupo da população em especial: a antiga maioria branca cristã e que está hoje perto de perder esse status entre os eleitores norte-americanos. É um extrato social que se mostra preocupado com a influência da imigração, se considera vítima de discriminação e acredita que o país está à deriva desde a década de 1950. O certo é que o futuro governo Trump é uma incógnita. Suas propostas de campanhas foram amplas e populistas, cujo efeito poderia ter grande impacto e provocar uma caos na economia. Entretanto, não há condições de prever o quanto dessas medidas ele conseguirá implementar. É possível até que, quando passar a despachar no Salão Oval, o candidato desbocado dê lugar a um presidente pragmático e equilibrado, enquadrado pelo establishment. Só nos resta aguardar.