Opinião
INTOLER�NCIA RELIGIOSA
O tema deste ano do Enem foi sobre intolerância religiosa, no qual os diversos estudantes do nosso País tiveram que emitir uma opinião sobre como ajudar a diminuirmos os conflitos gerados baseados em vieses ideológicos. É difícil para determinados candidatos ao ensino superior entender que muito daquilo que sabem e exprimem é uma reprodução do dito por outrem, e principalmente, produzido pela mídia atual. Entendo até muitos serem capazes de abordar a questão da intolerância, afinal, em um País em que vemos tantas injustiças acontecendo cotidianamente, tolerar significa buscar justiça nas relações e todos nós necessitamos disto, contudo, a tolerância religiosa tem sido atualmente mais via de discurso do que prática, mais um conceito do que um exercício de dignidade. Digo isso porque sou padre e presenciei diversas situações negativas nesta ambiência. Acredito ser a Igreja Católica nos tempos hodiernos a mais tolerante no relacionamento com as outras expressões religiosas, mesmo sendo ela tão perseguida. Vimos recentemente que o Papa Francisco viajou à Suécia no momento em que se celebrava a reforma protestante. Sua atitude foi bastante mal interpretada, pois chegaram a imaginar que o Sumo Pontífice estava totalmente aberto ao que os luteranos pregam. Contudo, não é assim. Na Suécia ele se encontrou com uma ?bispa? e a tratou com muita delicadeza; ao retornar a Roma, falou que a ordenação de mulheres ao sacerdócio na Igreja Católica é impossível, pois a questão já está fechada. O que podemos intuir diante disso? Mesmo não concordando com os valores propostos por outrem, devemos saber respeitar, dialogar e amar. O caminho da unidade não significa igualdade, e é possível sim agirmos como irmãos mesmo quando se há pluralidade de pensamentos. Talvez o leitor não tenha conhecimento, mas estão matando mais cristãos nesses últimos anos do que nos primeiros séculos da nossa era, na época da perseguição do Império Romano. E o motivo de tanto sangue, tanta morte: a religião. Acredito que devemos repensar nossas atitudes. A questão é mais que religiosa, é ideológica. Meu irmão é pastor da Igreja Batista e nós somos muito unidos, pois há mais pontos que nos aproximam do que afastam. Espero, sim, ver a tolerância reger as relações para com os que são participantes de alguma religião, e anseio que isso não seja a exceção.