Opinião
LEMBREI DO BRASIL
Trump venceu e será o presidente da nação mais poderosa e influente do mundo. Estão todos atônitos, americanos, europeus, asiáticos, nós, e por aí vai. Confesso que não esperava a vitória de alguém com o perfil que ele apresentou na campanha, arrogante, mal-educado, verborrágico, discurso agressivo e intimidante. Mas foi. Diante da ressaca mundial procurei consolar um amigo distante, brasileiro, imigrante legal, criou sua família e vive feliz em Fort Lauderdale, na fossa desde a vitória de Trump, já que é eleitor fervoroso de Hillary Clinton. Mas não é sobre isso que quero falar agora. Esse amigo compartilhou um post de Michael Moore, cineasta, escritor e documentarista que desde o primeiro momento parecia acreditar na possibilidade da vitória de Trump. Pois bem, na ressaca do resultado da eleição Michael Moore fez algumas observações muito interessantes. Ele as chama de lista de tarefas e dentre elas está a de que todos devem parar de dizer que estão ?atordoados? e ?chocados?. Os americanos que não acreditavam na vitória de Trump estavam em uma bolha e não prestaram atenção no desespero dos que previram, como ele, a proximidade da desgraça vindoura. Todos haviam negligenciado a raiva e o desejo de vingança contra o sistema. Não perceberam a vinda de uma estrela da tevê cujo plano era destruir ambas as partes (Democratas e Republicanos) e não souberam apagar a fogueira que ele estava ateando. E continua: a vitória de Trump não é nenhuma surpresa. Ele nunca foi uma piada. Tratá-lo assim só o fortaleceu. Ele é tanto uma criatura como uma criação da mídia. Mais adiante ele assevera a necessidade de se mudar um sistema eleitoral caduco (do séc. XVII) que permite que mesmo ganhando a eleição no voto popular o candidato a perca para um colégio eleitoral que já não mais reflete a realidade de hoje. Sim, porque Hillary Clinton ganhou no voto popular, mas perdeu a eleição. Tudo ocorrendo em um país onde a maioria de seus cidadãos diz acreditar que há, sim, mudança climática, que as mulheres devem receber remuneração igual aos homens, que desejam ter uma sistema educacional que não os leve a dívidas gigantescas, que querem um aumento no valor do salário mínimo e um único sistema de saúde universal. Ele arrremata que nada disso mudou, que vivem em um país onde a maioria concorda com a posições mais liberais, mas que simplesmente falta-lhes a liderança para fazer isso acontecer. Engraçado, mas lembrei do Brasil e dos riscos que correremos em 2018.