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Futuro mais distante

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O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico deverá ter um contingenciamento de 55% de seus recursos em 2017. A arrecadação deverá chegar a R$ 5,2 bilhões, mas a maior parte ? R$ 2,9 bilhões ? não deverá ser efetivamente gasta. Para especialistas, a redução de verbas para pesquisa e inovação põe em risco a competitividade do Brasil em curto e médio prazos. Dados do governo federal relativos a 2013 mostram que o Brasil investe o equivalente a 1,66% do PIB em ciência e tecnologia, o que coloca o País em 70º lugar no Global Innovation Index (Índice Global de Inovação). Os especialistas temem que o setor científico e tecnológico enfrente dificuldades ainda maiores com a aprovação da proposta de emenda à Constituição que estabelece um teto para os gastos públicos por 20 anos (PEC 55/2016). A PEC restringe o aumento das despesas federais à variação da inflação do ano anterior. Eles defendem que educação, ciência, tecnologia e inovação sejam colocadas como exceções na PEC, pois devem ser vistas como investimentos. Em vez de sinalizar cortes na área de ciência, pesquisa e inovação, o governo deveria apostar suas fichas em políticas que estimulem a aproximação das empresas com as universidades. É bom ressaltar que mais da metade da riqueza criada nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial tem origem na pesquisa universitária. Tecnologias inovadoras, como a internet, lasers, telefone celular, drones e uma série de produtos biológicos, são atribuídas a pesquisadores trabalhando em laboratórios acadêmicos. É preciso uma conjunção de esforços entre setor produtivo e academia, o que ajudaria na retomada do crescimento. Na China, por exemplo, 75% dos gastos com pesquisa e desenvolvimento são feitos pelo setor privado. No Brasil, continuamos dependentes do governo e de estruturas de financiamento governamentais, suscetíveis a ajustes fiscais. Há necessidade de um projeto Brasil para a ciência e tecnologia, para a criação de ambiente de inovação e para a redução do custo Brasil na criação e transformação de conhecimento em riqueza. Se continuarmos investindo pouco em pesquisa, ciência e tecnologia, estaremos comprometendo nosso futuro como nação em desenvolvimento.

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