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TEMPOS INTERESSANTES

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Nos anos 1980 a Primeira Ministra inglesa, Margaret Thatcher, e o Presidente americano, Ronald Reagan, lideraram a ideologia definida como globalização econômica, orientando os países a abrir os mercados, desregular o trabalho e reduzir o custo de produção para aumentar a competitividade, o que foi definido pela esquerda como neoliberalismo. Nesse contexto, a estratégia das empresas foi transformar a China no distrito industrial do mundo, o que deu certo para os chineses, mas nos outros países começaram a aparecer as consequências, sendo o melhor exemplo a cidade de Detroit, nos Estados Unidos, que virou um cemitério de galpões e restos da indústria automobilística. Com crise econômica iniciada em 2008, o desemprego e o aumento da pobreza nos países centrais fizeram surgir movimentos sociais parecidos com os que deram origem ao nazismo e fascismo nos anos 1930, de um lado; e de outro, os radicalizados à esquerda. O sinal vermelho veio da Grécia, o Syriza de ultraesquerda pôs em votação a saída ou não Zona do Euro. Na Alemanha, surgiu o ?Movimento Identitário?; e, na França, Marine Le Pen lidera o movimento que quer fechar as fronteiras, ambos de ultradireita. Na Inglaterra, o então Primeiro Ministro David Cameron se comprometeu a realizar plebiscito para decidir sobre sair ou não União Europeia. O movimento BREXIT (saída britânica), liderado por conservadores, apoiou e aprovou a proposta de sair. Nos Estados Unidos, poucos apostavam no sucesso de Donald Trump na disputa no Partido Republicano. Contudo, ele venceu a disputa interna e foi para o round final contra a candidata do Partido Democrata Hillary Clinton pela presidência da maior potência do mundo, a quem também impôs uma derrota histórica no último dia 9 de novembro. O que tem levado muitos a questionar sobre as razões para escolher quem fez do ataque a imigrantes, negros, latinos, mulheres, minorias e ao ?establishment? a estratégia de campanha. A resposta pode ser a mesma não importa o país, e tem origem no senso comum dos que se veem diante do desemprego e do empobrecimento. Eles debitam à transferência de indústrias para outros países e a imigração como as causas para a situação que enfrentam e se somam aos que prometem alterar o modelo vigente e enfrentar as contradições. As causas que contribuem para essa insatisfação são muitas, mas uma é a gritante concentração de riqueza. Nos dias atuais, os 10% mais ricos abarcam mais de 70% riqueza no mundo. A fatia menor que representa apenas 1% dos mais ricos abocanha mais de 40%, como mostra o economista francês Thomas Piketty no livro ?O Capital no Século 21?. Ante a essa realidade, as ações são uma sinalização do fim da tolerância a medidas que punem sempre o andar de baixo; e a negação a governos e políticos que pouco fazem para mudar o status quo e insistem em maquiar a realidade para manter as disparidades. A insatisfação que acontece mundo afora é uma resposta a falta de conscientização de que algo precisa ser feito para reequilibrar o pacto de convivência entre as pessoas. Como nada tem sido feito, os diferentes tipos de movimentos podem ser explicados pela frase do historiador Inglês Eric Hobsbawn, no livro Tempos Interessantes: ?A injustiça social ainda precisa ser denunciada e combatida. O mundo não vai melhorar sozinho?.

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