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Opinião

UM GORILA BRANCO NA CASA BRANCA

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Contemplando o monumental e conservadíssimo aqueduto romano de Segóvia, datado dos anos 80 a.C. , naqueles dias que antecederam as eleições norte-americanas, foi inevitável a correlação entre o eleitor de Trump e os legionários romanos, que adotavam uma máxima, segundo a qual para um líder ser respeitado e seguido pela tropa, precisava carregar alguma sujeira em seu elmo. Os tradicionais periódicos espanhóis, como El Nacion, La Razon e El Mundo, continuam provendo privilegiado espaço para os artigos de opinião, nos quais a posse do novo gabinete de Mariano Ravoy, do PP, disputava espaço com as eleições americanas, cuja preocupação majoritária era o populismo de Trump, aliado ao crescimento desse fenômeno na Europa. A Espanha vive um momento gratificante: depois de intensa e duradoura recessão, e realizados os ajustes necessários ligados principalmente à redução do tamanho do Estado ,a sua economia, pelo segundo ano consecutivo, apresenta um crescimento do PIB superior a 3,3%. Todavia, Ravoy, liderança maior governista, é o menos popular entre os principais políticos espanhóis. O mais popular é Julio Iglesias, do populista de esquerda Podemos, partido que mais cresce nas terras de Cervantes.O PSOE , da esquerda tradicional, enfrenta a maior crise, com perda recorde de eleitorado. Contudo, as justas preocupações mundiais estão com o resultado das eleições que levaram Trump à Casa Branca. O populista Trump baseou sua campanha em um desprezo sistemático pela verdade, mesmo tendo contra quase a unanimidade da mídia e dos intelectuais. Sua esbravejada intolerância com as minorias, imigrantes, islâmicos, negros e seu desapreço pelas mulheres, todavia, tiveram eco em um eleitorado, o que, juntamente com o esquizofrênico sistema eleitoral americano, mostrou que a máxima dos legionários romanos persiste na maior e mais desenvolvida democracia mundial. Torna-se, portanto, plenamente compreensível a instabilidade dos mercados mundiais,mesmo que o Trump eleito apresente-se mais civilizado que o Trump candidato. Entre tantas dúvidas: o majoritário Congresso republicano conseguirá domar o gorila em sua jaula branca? A farsa populista de direita, quando e se exposta, trará quais consequências entre o seu eleitorado? Fica uma lição básica para o Brasil vacinado (esperemos!) contra o populismo de esquerda petista: superar a recessão, equilibrar as contas públicas e vencer o atraso político; fazer somente a sua obrigação, como ocorreu na Espanha, não dá popularidade ao governo. Temer sinalizou enxergar isso. Tomara.

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