Opinião
1889: REP�BLICA BURGUESA E RESIST�NCIA POPULAR
A historiografia dos silenciados revela uma intensa luta e resistência dos movimentos populares no Brasil. Como comentava Monteiro (1981): ?não realizava simples passeatas de protestos, mas autenticas lutas com mortos e feridos. Além disso, desde a Praieira (1848-1850), havia uma animosidade latente entre grandes proprietários e trabalhadores rurais [...]?. Segundo Mazzeo (1995), o Brasil independente, organizado como Estado nacional, não alterou, como ficou evidenciado, suas formas produtivas herdadas do período colonial. Dessa forma, a concentração do capital, ascensão da classe média e a participação dos militares determinaram o fim do Império e o desfecho do golpe republicano. Assim, o advento da República representou efetivamente o estrangulamento violento e abrupto dos grupos subalternizados e marginalizados na estrutura econômica escravagista que permaneceu intacta com o advento da Proclamação. Ou seja, mudar para continuar oprimindo. A modernidade do viés do capitalismo prussiano colonial brasileiro exterminou diversas rebeliões através de massacres permanentes que nunca foram narrados pela produção historiográfica tradicional. A República arquitetada durante o golpe de novembro 1889 será fundamentalmente conciliadora com o atraso da produção e das relações sociais e buscará uma forte configuração do capital, isto é, sem romper com a dependência e subordinação do capitalismo internacional através de medidas repressivas aos movimentos populares desde o período regencial como a Cabanagem e a Balaiada. Durante o Segundo Reinado, a revolta do Quebra-Quilos (1874-1875) e a Guerra das Mulheres (1875-1876) nas Alagoas, terra de Dandara e Zumbi dos Palmares. A sistemática repressão das classes populares representou o forte medo da burguesia dita nacional de uma possível guinada definitiva a uma sociabilidade Popular! Para Benjamin (1994), era necessário pensar o tempo histórico não como uma relação de causalidade. Mas o contrário, desconstruir o continuum da história na esperança de salvar das ruínas os vencidos e silenciados. Dessa forma, Benjamin compreendia que o dom de despertar no passado as centelhas da esperança é privilégio exclusivo do historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer.