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Tradição centenária do Nordeste, a vaquejada vem sendo alvo de polêmica nos últimos meses. Recentemente o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a regulamentação desse tipo de esporte no estado do Ceará. Em Alagoas, o Ministério Público Estadual ajuizou uma ação civil contra a atividade. Por esse motivo, a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha transferiu para a cidade de Bezerros (PE) o local do 14º Campeonato Brasileiro de Vaquejada. O evento estava marcado para o município do Pilar, em Alagoas, entre os dias 24 e 27 deste mês. O principal argumento dos críticos da vaquejada seria o fato de que a atividade configura prática de maus-tratos aos bois. Os organizadores rebatem a acusação e afirmam que a vaquejada passou por um processo de modernização, com novos meios de fiscalização e regras a serem cumpridas. Haveria toda uma preocupação para que os animais, tanto os cavalos quantos os bois, não sofram maus-tratos. Além de sua importância cultural, por se tratar de um esporte genuinamente brasileiro, outro argumento a favor do esporte é seu impacto econômico. Em Alagoas, por exemplo, são gerados cerca de 11 mil empregos, movimentando R$ 5 milhões. Para o semiárido, representa uma importante meio de geração de emprego e renda. A mudança da competição para Bezerros tem uma razão de ser. Lá, os responsáveis por esse esporte firmaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público Estadual, com o objetivo de implementar medidas necessárias à proteção e bem-estar dos animais no evento, visando a impedir qualquer prática ou situação que configure maus-tratos. Para isso, será mantida uma equipe de veterinários à disposição dos competidores para acompanhar o tratamento de bois e cavalos que adoeçam ou se machuquem durante a competição, além de outras medidas. É legítima e necessária a preocupação com o bem-estar dos animais, mas o TAC assinado entre o Ministério Público e os promotores de vaquejada de Bezerros mostra que é possível conciliar a prática esportiva com a defesa dos animais. É um exemplo que poderia muito bem ser seguido pelo Ministério Público Estadual de Alagoas, em vez de tentar simplesmente proibir a atividade, sem levar em conta todos os impactos que a decisão representa. O bom senso deve prevalecer.

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