Opinião
A Rep�blica e a coisa p�blica no Brasil
Há 127 anos, o Brasil se tornava uma república ? a República Federativa do Brasil ?, inaugurando, no dia 15 de novembro de 1889, um novo sistema de governo, em substituição à Monarquia, que reinou absoluta desde a descoberta, nos idos de 1500 ? como colônia do império de Portugal ?, e depois como País independente, a partir de 1822. Mas o que vem mesmo a ser uma república? Originária do latim res publica, que significa ?coisa pública, do povo?, pressupõe-se que o governo republicano tenha como princípio o interesse comum sobrepondo-se aos interesses particulares; o poder popular sobre o governo e suas decisões, sobre a escolha dos seus governantes que, em tese, deixaram de ser perpétuos no poder, de ser hereditários, como na Monarquia. Será? Pressupõe-se o fortalecimento e a independência das instituições de Poder: Executivo, Legislativo e Judiciário, cada um contribuindo para guarnecer a cidadania. Pressupõe-se, ainda, os partidos políticos como instrumentos para o fortalecimento do exercício dessa cidadania. Mas o que se vê, na prática, é outra realidade. Mergulhado numa das mais severas crises institucionais de sua história, a República brasileira afunda num mar de descrédito onde chacoalham as suas instituições, num redemoinho de improbidade, corrupção, fraude eleitoral, supersalários, desigualdades sociais, escândalos políticos que colocam em xeque uma das maiores conquistas da democracia republicana: o poder do voto popular. O número de abstenções, votos nulos e brancos registrado nas eleições deste ano fala por si, revelando uma enorme massa de cidadãos da República que se recusaram a votar em alguém, que já não acreditam na soberania do interesse comum. A ?renovação? a cada eleição nada mais é que a perpetuação hereditária de oligarquias familiares. O número exacerbado de partidos políticos, que poderia garantir maior pluralidade e diversidade no processo eleitoral, na verdade é um amontoado de siglas vazias, que nada dizem da sua ideologia ? se é que elas existem. E sem ideologia, não se movimenta o cidadão nem se fomenta a garra de lutar e acreditar em dias melhores, em um País melhor. Para onde caminha a República? Não se sabe. Mas é evidente que está doente, agoniza. E o senso comum que lhe seria peculiar cada dia perde o viço e a relevância no processo de escolha dos governantes.