Opinião
O JUDICI�RIO EM SUA ENCRUZILHADA HIST�RICA
Uma Presidente da República, um presidente da Câmara Federal; um senador líder de governo; dois governadores de um estado importante como o Rio de Janeiro, próceres petistas, todos afastados ou presos por corrupção, não é pouca coisa: o Judiciário tem exercido exemplarmente a sua missão no combate à corrupção, mal maior do País. O Judiciário demonstra que a impunidade não é uma determinação genética brasileira, devolve um pouco de esperança, e mostra que cadeia não é só para ladrão de galinha. Ao incluir na lista o governista PMDB, comprova que não é perseguidor do PT. Na sua cruzada contra a corrupção, o Judiciário justifica perceber excelentes salários e a estabilidade. A admiração e o respeito nacionais chegariam à idolatria, se a sacrificada sociedade, que enfrenta uma gravíssima crise, com recessão, redução de salários, desemprego brutal, serviços públicos precaríssimos e lhes paga os salários, enxergasse que o axioma de Públio Siro (século I a.C), ?ninguém pode ser juiz em causa própria?, fizesse parte do modus vivendi de suas excelências. Como parte privilegiada dos servidores públicos,os valorosos magistrados tiveram seus proventos (e parece, os penduricalhos que lhes elevam extraordinariamente os ganhos) majorados acima da inflação nos governos lulopetistas; fator, segundo os estudiosos, que associado à corrupção, foi fundamental no descontrole das contas públicas: o caos no Rio de Janeiro é apenas uma ponta do iceberg. Enquanto isso, a maior parte do setor produtivo e de serviços passou e vive longe desse mundo de benesses e mordomias, sobrevivendo em uma crudelíssima realidade. Em sua obra ?Teoria da Justiça?, Jonh Rawls afirma que ?a Justiça é a primeira virtude das instituições sociais, assim como a verdade é dos sistemas de pensamento?. O Brasil defronta-se com desafiadora verdade: para continuar o combate à corrupção, precisa muito do Judiciário e do MPF eficientes e virtuosos, mas os quer também probos na sua acepção plena, onde o limite constitucional de proventos é um parâmetro indispensável a ser adotado. Seria um capitis deminutio para o Judiciário, um desalento para os que os veneram, e tem o MPF e o Judiciário como as tábuas de salvação nacionais, vê-los submetidos a uma camisa de força costurada pelo desacreditado Congresso Nacional, todavia, reconhece-se aí uma proposta que contempla a ânsia nacional por austeridade e probidade. Ainda dá tempo da iniciativa partir dos próprios magistrados. Existe muita gordura para queimar, contribuindo com a aspiração de um Brasil mais justo, sério e honesto.