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O �nus das reformas

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Na primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão) do governo do presidente Michel Temer, realizada ontem, os conselheiros defenderam medidas para a retomada da economia e do crescimento do País, mesmo que muitas delas ?impopulares? e ?amargas?. Entre essas medidas estão as reformas trabalhista, tributária e da Previdência. Os empresários se queixam da alta carga fiscal e de leis que, segundo eles, estariam defasadas, fazendo com que o Brasil perca competitividade em relação a outros países. Outro problema que deixa o País menos competitivo é a burocracia. Parece haver consenso de que há várias questões mal resolvidas no Brasil em relação à gestão pública e a regulamentação da atividade econômica. O nosso sistema tributário, por exemplo, é confuso e injusto, pois acaba pesando mais sobre o trabalhador e a produção. A carga é alta e mal distribuída. Há mais de 20 anos se discute a necessidade de reformá-lo, mas as tentativas foram frustradas. O problema é que a questão envolve muitos interesses e nenhum ente da federação quer abrir mão de receita, por mínima que seja. As reformas trabalhista e previdenciárias são as mais polêmicas, pois mexem diretamente com o trabalhador e enfrentam grande resistência das centrais sindicais, que defendem a manutenção de direitos historicamente conquistados. Há, ainda, grande dificuldade de realizar a chamada mãe de todas as reformas, ou seja, a reforma política, que fortaleça os partidos e coíba a criação de legendas de aluguel. Sucessivos governos tentaram, sem sucesso, nas últimas décadas, implementar reformas consistentes. Em geral, faz-se apenas uma meia-sola, que mexem em alguns pontos, mas não alteram a estrutura. Agora, amparado por uma ampla base parlamentar e em meio a uma das maiores crises econômicas vividas pelo País, o governo Temer quer aprovar, no espaço de tempo mais curso, essas mudanças. Como já foi dito, as reformas são necessárias, porém, pelo impacto que terão na vida do cidadão, devem ser bem debatidas. Os remédios para que o Brasil volte a crescer são amargos, mas não se pode aceitar que a maior parte do ônus dessas mudanças recaia sobre as costas do trabalhador. O sacrifício deve ser partilhado por todos de acordo com sua capacidade contributiva.

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