loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

DO COMODISMO

Ouvir
Compartilhar

Não encontrei nada mais convincente do que a figura do Imperador Cômodo para dar origem a este vocábulo. Não apenas o epíteto latino, mas a própria História do filho de Marco Aurélio. Criado para ser sucessor do pai, reservou-se a uma juventude de orgia e prazer, sem nenhuma preocupação nem responsabilidade pela política. Com a morte de Marco Aurélio em 180 d.C., não estava preparado para ser o novo soberano. Dessa forma, não podemos dizer que esse adjetivo não tome forma no logos ?comodus?, do latim, mas na personalidade do próprio imperador como alguém que cuidava apenas de si, indiferentemente, sem avaliar suas responsabilidades sobre os demais. Portanto, assim dizemos daquele que espera, ansiosamente, que alguém lhe ofereça o emprego, mas sequer prepara um currículo para entregar. Coisa nem tanto incomum na sociedade hodierna, sobretudo na casta política e seus rebentos. É tão comum nos governos dessa república que, geralmente, de quatro em quatro anos, estão os afilhados procurando novos padrinhos para permanecerem em seus cargos. Ainda pior quando não se dão o trabalho sequer de comparecer à repartição, mas só o de apreciar seu nome publicado no Diário Oficial. Toda mulher vira serviçal de sua própria casa quando o marido é comodista. Ela nunca consegue sentar com ele à mesa porque tem que atender aos seus pedidos. Muito pior quando ela o acostuma a fazer seu prato, a trazer seu sapato, colocar sua roupa em cima da cama, entregar-lhe a toalha, a chave do carro, abrir a garagem... E uma infinidade de coisas mais. Resultado: quando os dois vão sair, ele reclama porque ela demora demais, quando o tempo perdido se deu na função de pajem seu. Não pense o leitor que é uma arte muito difícil produzir um ?acomodado?. Basta acostumar dar comida na boquinha de seu filho, preparar sua vitamina, fazer sua torrada, forrar sua cama e outros mimos mais e não agir conforme a idade. Quer desgraçar de uma vez? Mudar de escola para que ele não se sinta humilhado porque perdeu o ano. Enfim, o auge é, exatamente, presenteá-lo como se nada aconteceu. O sujeito cresce e só acredita naquilo que pode ganhar e nunca sabe, exatamente, como deve lutar para conseguir. Na sociedade de consumo, o que importa é realizar o sonho high-tech. E a tecnologia, por sua vez, também contribui, sobremaneira, para aumentar o comodismo que cresce como nunca no terceiro milênio. Talvez cheguemos à era dos ?Jetsons?, desenho futurista da década de 1980, quem sabe também com uma ?Rosie?, a empregada robô.

Relacionadas