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Dados divulgados ontem pelo Ipea, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Fundação João Pinheiro, mostram que a desaceleração econômica vivida pelo Brasil a partir de 2010 não reverteu indicadores de desenvolvimento humano no Brasil, embora tenha sido suficiente para reduzir seu ritmo de melhora. Entre 2011 e 2014, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) cresceu 1% ao ano, um ritmo menor do que a expansão anual de 1,7% entre 2000 e 2010 ? década de grande expansão econômica do País ?, com exceção do indicador de renda, que avançou a um ritmo maior. O indicador é uma referência de qualidade de vida da população e seu cálculo considera informações sobre renda, educação e longevidade. Os dados apontam a evolução da qualidade de vida dos brasileiros durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff. Na análise por unidades da Federação, o Distrito Federal registra a maior taxa de desenvolvimento humano (0,839), seguido por São Paulo (0,819) e Santa Catarina (0,813). Os menores índices são os de Alagoas (0,667) e do Pará (0,675) e Piauí (0,678). A partir do governo Lula, em 2003, o Brasil viveu um período de grande expansão econômica. Houve crescimento real do salário, a menor taxa de desemprego e inflação relativamente controlada. Milhões de famílias ascenderam socialmente e foram incorporadas ao mercado consumidor. Entretanto, boa parte desse crescimento se deveu ao aumento do preço das commodities. O ciclo, entretanto, começou a se inverter em 2008. O grande erro do governo Dilma foi ter adiado por tempo demais os ajustes necessários para enfrentar esse novo momento econômico internacional, por acreditar que a crise era temporária. Dilma, então, foi obrigada a abrir o ?saco de maldades? para promover um duro ajuste, mas seu governo já estava desgastado e sua base parlamentar era pífia, o que acabou resultando no impeachment. Agora o desafio do governo Temer é fazer o País retomar a rota do crescimento. Mesmo sendo impopular, conta com amplo apoio no Congresso para aprovar os remédios amargos. Resta saber se a dose vai surtir efeito no médio e longo prazos, sem acabar de matar o paciente.

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