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Pai Thomaz

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RONALD MENDONÇA * Ministro, o cirurgião Adib Jatene continuou a operar seus doentes dois ou três dias por semana. Claro que devem ter havido ocasiões em que não foi possível estar presente, mas, acredito, nem por isso deve ter passado pela cabeça de alguém suprimir o pró-labore do chefe. Imaginem se alguma equipe ? médica ou outra ? vai deixar de remunerar um dos seus membros mais ilustres por estar ocupando um ministério? São mil as razões, inclusive o fato de o alto posto atuar como poderoso marketing para a equipe. Esses comentários vêm a propósito da entrevista na revista Veja, desta semana, com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Foi comovente a sinceridade de S. Exa. ao responder a uma das perguntas, que se referia justamente à renúncia de R$ 250 mil mensais (é quanto ganharia por mês na sua banca de advogado), em troca de R$ 8 mil para ser ministro. ?Vaidade?, foi a resposta do preclaro. Por um momento pensei que o douto jurista iria driblar a verdade e fazer crer que havia aceito o cargo como uma ?missão irrefugável? ou então apelar para o surrado ?patriotismo? ou ?devoção?. Picuinha ou não, dois meses atrás uma notinha na imprensa dava conta que, tão logo Bastos fora confirmado para o cargo, um rumoroso processo-crime contra estudantes de Medicina, acusados de matar por afogamento um ?fera? durante um trote, teria sido arquivado. O detalhe é que os réus tinham como defensor o atual ministro... Na aludida entrevista de Veja, Thomaz Bastos dividiu as medidas para combater o crime em simbólicas, paliativas e efetivas. Colocar Beira-Mar incomunicável fora do Rio e botar o Exército na rua seriam atos puramente simbólicos. Seriam ações paliativas: levar aos sítios de maior violência um braço do Estado carregado de delegacia, juizado, promotoria onde o cidadão pudesse prestar queixas. Segundo Bastos, São Paulo já faz isso e os frutos estão na mídia. Medidas efetivas: 1) Melhor distribuição de renda (o ministro saiu na frente renunciando a R$ 250 mil mensais); 2) eliminar os ?gargalos? do judiciário, através de ampla reforma; 3) combater as ?lavanderias? de dólares; 4) Informatizar e unir as polícias. O que não ficou bem claro foi o destino dos atuais Ph.D. do crime; se permanecem controlando a vida da cidade de dentro dos falsos presídios ou se já são liberados de uma vez. E, finalmente, la piáce de résistance do ideário do ministro: a ?vacinação definitiva? contra a criminalidade: nada de penas pesadas, mas ?a certeza da punição?. (?Grades Nunca Mais?). Trocando em miúdos, meu caro leitor: um cara pode matar o seu filho e ?com certeza? terá a pena de prestar trabalhos gratuitos nos fins de semana durante 12 ?longos? meses. Ufa! Daqui a pouco o homem está sendo chamado de Pai Thomaz. (*) é MÉDICO E PROFESSOR DA UFAL

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