Opinião
ENCONTROS AQUI OU L�!
Tenho duas tias que morreram vítimas de câncer e seus cônjuges também. Momentos dolorosos que marcaram a história da minha família. Um tempo depois a situação se repetiu, dessa vez, com meu avô. Quando soubemos, já era irreversível. Como ele morava na Bahia, fui ao seu encontro. De todas as vezes que eu o vi, aquela foi diferente. Eu sabia que por não morar naquele Estado, seria a última vez que o veria nesta vida. O que fazer nesse momento? Quais as palavras a serem ditas? Pensei um instante em poder fazer o tempo parar e assim aproveitar aqueles minutos de uma forma maior. Contudo, não tinha esse controle. Até a vida que nos é dada não está sob a nossa total autoridade. Lembro-me que lhe dei um abraço e me despedi. Eu sabia que ele era consciente da proximidade de sua morte. Ali foi como seu eu dissesse: até o céu; logo nos veremos. E assim, um dia chegou a notícia. Ainda deu tempo de ir e abençoar sua sepultura. Esta foi uma experiência que me marcou profundamente. Pensei em todas as pessoas que poderiam dizer algo a quem amam e por situações diversas não o fazem. Estava tranquilo, pois sei que a presença dos meus foi aproveitada dentro de um olhar divino. Eu não precisava de mais ou menos. Era o que tinha sido permitido a mim e eu me sentia feliz em ser cônscio disso. Uma vez fui visitar um amigo chamado Paulo Roberto. Jovem, com pouco mais de 20 anos, havíamos nos conhecido num grupo de oração e partilhávamos muito a vida. Naquele dia nosso encontro foi diferente. Ele me falou do céu e disse que sentia saudades de lá. Para quem não é religioso, frases assim podem até soar estranhas, mas meu coração via naquele rapaz uma aspiração sincera pelas realidades do alto. Semanas depois ele morreu afogado, resultado de uma convulsão que teve na praia de Pajuçara. Na missa de sétimo dia, falei com sua mãe sobre o acontecido. Mesmo sem saber, Paulinho já estava preparado para seu destino. O porvir não o assustava. Então, não me assustei também. Agora, descobrimos essa semana que um tio meu está com câncer. Os médicos deram uma ?sobrevida? de um a dois anos. Estou morando em outro país e não há como estar tão próximo fisicamente como eu gostaria. Irei vê-lo, mas sei este que não será nosso último encontro. O céu é logo.