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Dados divulgados ontem pelo IBGE indicam que o número de mortes de crianças com até 1 ano de idade passaram de 4% do total de óbitos registrados em 2005 para 2,5% em 2015. Na faixa até 5 anos, esse percentual caiu de 4,8% para 3% dos óbitos. Para efeito de comparação, em 1974, os óbitos de crianças menores de 1 ano representavam 28% do total no Brasil e os de menores de 5 anos, 35,6%. Ou seja, atingimos o menor nível em 41 anos. O IBGE também atribui o declínio na mortalidade infantil ao aumento da escolaridade feminina e à elevação do percentual de domicílios com saneamento básico adequado (esgotamento sanitário, água potável e coleta de lixo), além do maior acesso da população aos serviços de saúde, o que proporcionou melhoria na qualidade do atendimento pré-natal e durante os primeiros anos de vida. Não há dúvida de que, nos últimos anos, houve uma melhora considerável nos indicadores sociais brasileiros, apesar de muitos deles ainda estarem distantes dos níveis ideais. Os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, a valorização do salário mínimo e a ampliação do crédito, combinados com a ampliação do mercado de trabalho, fizeram com que mais de 20 milhões de brasileiros saíssem da pobreza extrema e fossem incorporados ao mercado consumidor. O resultado foi a melhoria na qualidade de vida da população, que se refletiu em diversos aspectos, inclusive no cuidado com a saúde. Em 2013, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) já havia destacado os avanços obtidos pelo Brasil. Para o Unicef, o País se destaca no cenário internacional como um dos países que mais reduziram a mortalidade infantil nos últimos anos, mas essa conquista implica novos desafios, como a responsabilidade de avançar ainda mais. Além disso, ainda existem bolsões de miséria em que os índices estão bem acima da média e o sistema público de saúde é ineficiente e subfinanciado. Diante da grave crise econômica que o Brasil atravessa neste momento, todas essas conquistas estão sob risco. Medidas de ajuste fiscal são necessárias e urgentes, mas devem ser feitas com muita precisão para não prejudicar áreas essenciais. É preciso usar bem os recursos disponíveis, combater o desperdício e a corrupção, corrigir as distorções e eliminar os gastos supérfluos.

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