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Opinião

OS ENCANTADORES E AMEA�ADOS SEIOS FEMININOS

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Conta Heródoto, nas crônicas que escreveu sobre a Grécia antiga, que a rainha Atossa, esposa de Dario I, rei dos persas, escondeu o quanto pode um tumor no seio com medo de perder a feminilidade, o marido, o prestígio, e com isso o próprio valor como pessoa. Temia mais pelo seio do que pela vida. Por fim, já não suportando o peso de seu segredo, se fez examinar às escondidas por um médico estrangeiro, Demócedes, que se achava retido na Pérsia. Astuto, ele a fez prometer que se a curasse, ela o libertaria para que retornasse à Grécia, sua terra natal. Não se sabe a verdadeira natureza do tumor, mas Atossa foi curada pelo médico grego, e tamanha passou a ser sua influência sobre a rainha, que através dela, convenceu o rei Dario a enfrentar os gregos, que o esmagaram e às suas tropas, na lendária batalha de Maratona. Demócedes escapou e voltou para a Grécia. A batalha de Maratona ocorreu em 490 a.C, mais de 2.500 anos atrás, mas mostra que já existia nas mulheres que viveram há tanto tempo, em uma cultura tão diferente da nossa, esse compromisso quase insano de assumir o risco da própria vida para preservar os seios; eles são fonte de alimento, de prazer, de afeto e aconchego. Fundamentais na vida psíquica e social feminina. A ameaça aos seios de uma mulher a leva à preocupação com sua identidade, de como os outros a possam ver, se forem adulterados, e principalmente perdidos. A tradição cristã é rica na simbologia dos seios. Temos as representações da Virgem Maria amamentando o Menino-Deus e as obras que retratam os martírios de Santa Bárbara, Santa Eulália, Santa Cristina e Santa Águeda, a padroeira daqueles que se dedicaram a cuidar dos seis femininos, os mastologistas. Poetas, como Paul Valery, Garcia Lorca e Baudelaire na obra As Flores do Mal, cantaram a condição sublime e irresistivelmente sedutora dos seios femininos, e pintores como Delacroix em sua obra mais famosa A Liberdade Guiando o Povo, exposta no Louvre, mostra uma mulher exibindo os seios nus, enquanto comanda os revoltosos; esses iluminados elegeram os seios femininos como referências de sentimentos de força, confiança, liberdade e vitória. Em vários países existe uma lenda de extraordinário simbolismo, que conta em versões variadas que o mundo teria nascido de uma gota vertida do seio de uma deusa. Nessa semana as maiores referências da mastologia nacional estarão em Maceió, em um evento criteriosamente organizado pelos médicos Frederico Theobaldo e João Aderbal, para debaterem com os especialistas locais os principais avanços dos tratamentos contra o câncer. Imperdível oportunidade.

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