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Opinião

UNIDOS NA TRAG�DIA

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Numa dessas coincidências que a vida (e a tecnologia) oferecem, no dia em que o avião que transportava o time da Chapecoense caiu na Colômbia, uma emissora de TV exibiu o documentário ?Senna?, produção de 2010, dirigido por Asif Kapadia, que mostra a trajetória do nosso tricampeão de Fórmula 1, desde o início no kart até sua morte no começo da tarde do dia 1º de maio de 1994, em Imola, Itália, quando o Brasil parou. As imagens do velório e do sepultamento de Senna ainda enternecem, o País se uniu na dor; todos buscaram consolo no ombro próximo. Naquele momento, as divergências foram postas de lado, as inimizades sumiram; fomos todos irmãos no luto. Passados 22 anos, o Brasil mais uma vez quedou silente diante de uma tragédia. A dor, (infelizmente) nos uniu. Isso ocorre quando o Brasil atravessa um torvelinho de intolerância, de preconceito, de desapego à vida, com muitos pedindo a volta da ditadura militar e a implantação da pena de morte como forma de resolver o problema da superpopulação carcerária. Na terça-feira, nos lembramos que somos uma nação, irmanada pela língua e pela solidariedade, que nossa Pátria é uma mãe gentil, como diz a letra do Hino Nacional. Estamos atônitos. Como? Por quê? São perguntas que conduzem à tragédia inexorável. Tantos jovens atletas, sonhando com um título internacional, o campeonato sul-americano, têm as vidas ceifadas por um desastre ainda inexplicável. Um deles nos toca mais de perto: Arthur Maia, alagoano, de Maceió, jogador da Chapecoense, que se foi com apenas 24 anos. Sua família chora, e nós choramos com ela. Contudo, devemos orar pelos que sobreviveram, são guerreiros que se apegaram à vida, resistiram e serão sempre um exemplo de tenacidade. Os jogos pararam, as arquibancadas estão vazias, não há rivalidade. Pelo contrário, num gesto altruísta, o Atlético Nacional, da Colômbia, abre mão do título e pede que a Chapecoense seja declarada campeã. Algo que nos comove e que deveria comover também as torcidas organizadas que pregam a morte dos rivais. Chega de mortes! Se há algo que essa tragédia pode nos ensinar é que é possível conviver, abraçar alguém mesmo que seja diferente de você, que pense diferente. Se a dor nos une, por que não o riso? A comemoração do gol? A aceitação da vitória do oponente? Podemos sim conviver com contrários. É assim que se faz uma Nação.

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