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Volta da incerteza

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Quando se pensava que o Brasil já havia atingido o fundo do poço e começaria a dar os primeiros passos para a retomada do crescimento econômico, eis que os dados do IBGE divulgados ontem podem ser considerados um balde de água fria. A economia simplesmente voltou a piorar no terceiro trimestre. O Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no País, encolheu 0,8% em relação ao trimestre anterior, na sétima retração. Esse resultado coloca o País na última posição em uma lista de 40 países que já divulgaram os dados do PIB) do trimestre passado. Na América Latina, por exemplo, o Peru teve taxa de crescimento de 4,4% do PIB; o México, 2%; o Chile, 1,6%; e a Colômbia, 1,2%. Os dados sinalizam que ninguém sabe direito quando o País vai sair do fundo do poço, apesar de o governo tentar passar um clima de otimismo e projetar dias melhores para 2017. Para os economistas, o principal fator para explicar a recessão é o investimento, que está caindo sistematicamente acima da queda do PIB. Além disso, o consumo continua a perder força. O resultado dos investimentos do terceiro trimestre mostra que a produção e a exportação de equipamentos perderam força, o que cria um cenário difícil para a retomada dos investimentos. Com essa queda nos investimentos, analistas agora preveem que a retomada do crescimento da economia pode ser mais lenta que se imaginava. A confiança dá sinais de que pode cair e reflete certa decepção em relação à demora da economia de dar sinais de retomada. Empresários não confiam na recuperação da demanda, por isso não estão investindo, num círculo vicioso. O presidente Michel Temer assumiu o cargo embalado pelo otimismo dos investidores e do empresariado, que são críticos ácidos da política econômica da presidente Dilma Rousseff. Houve até quem decretasse o fim da recessão, como se, num passe de mágica, a saída de um governante pudesse representar o fim de todos os problemas. Os números do IBGE, porém, apontam uma realidade mais adversa. A reação esperada ainda não ocorreu e parece estar mais distante. A política continua ditando os rumos da economia, e o governo está mergulhado em uma crise. Por isso, o clima, mais uma vez, é de incerteza.

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