Opinião
CUBA SEM FIDEL
Importante figura do episcopado brasileiro, eleitor do papa, declarou certa vez em público que Cuba era a realização do paraíso terrestre em nossos dias. Outro membro de destaque da Igreja, que ocupou passageiro cargo político no governo Lula, também fez entusiásticas declarações em favor de Cuba. Já, ao contrário, em um Congresso continental latino-americano das vocações sacerdotais, a que participei em Itaici, havia uma religiosa de Cuba encarregada das vocações, que, interrogada sobre a verdadeira situação do povo cubano, afirmou categoricamente: ?Só fala bem da situação social e política de Cuba quem não vive lá como cidadão comum. Os turistas e personalidades que visitam nossa Ilha, não conhecem a verdadeira e miserável situação do povo cubano?. Verdade é que grande parte da miséria de Cuba se devia ao embargo econômico e alimentar, imposto pelos Estados Unidos e outras potências mundiais. Fidel Castro, filho de rico fazendeiro que possuía vastas terras, estudou com os jesuítas, juntamente com seus irmãos, em Santiago de Cuba. Dizia-se, na época, que os guerrilheiros de Sierra Maestra, combatendo a ditadura opressora de Somoza, empunhavam o terço de Nossa Senhora, juntamente com a metralhadora. Foi esse homem que, dois anos após a vitória sobre a ditadura, com surpresa geral, declarou que a partir dali Cuba teria o regime comunista de governo. Na verdade, era mais uma opção pela União Soviética, contrariando o velho inimigo, explorador de sua economia, o poderoso vizinho, os Estados Unidos. O regime imposto a Cuba foi desumano e cruel e levou ao ?paredón? de fuzilamento milhares de opositores, que não conseguiram fugir para a vizinha Flórida. A imprensa brasileira divulgou uma estimativa do Cuba Archive, afirmando que o regime castrista foi responsável pela morte de 5.000 cidadãos cubanos e que 2.300 morreram em prisões do regime. Com salários de fome, reduziu a população pobre a um triste estado de abastecimento alimentar, vestuário e transporte. Mas tem um grande mérito: preocupou-se muito com a educação, com excelentes resultados, reduzindo notavelmente a praga do analfabetismo, que tinha níveis astronômicos e hoje se acha reduzida aos índices razoáveis, comuns na América Latina. Na medicina, vem formando médicos de reputação mundial. Em novembro de 1983, em Luanda, capital de Angola, na guerra civil que se seguiu à independência daquele país africano, pude ver seus excelentes médicos trabalhando em míseros hospitais. Já agora, em tempos de paz, em outubro de 2014, fui atendido na mesma Luanda, na Clínica Atália, por excelente equipe de médicos cubanos, sob a direção da dra. Clara Guerrero. Em 15 de março de 1990, na posse do presidente Collor em Brasília, na Câmara dos Deputados, o ?comandante? Fidel destacava-se dos demais chefes de Estado presentes por usar fardamento militar verde- -oliva. Articulada pelo papa Francisco, Estados Unidos e Cuba começaram com Barack Obama e Raul Castro certa abertura diplomática em dezembro de 2014, para no ano seguinte restabelecerem as relações diplomáticas, rompidas em 1961. E agora, como será Cuba, sem Fidel Castro? Que Santo Antônio Maria Claret, o santo espanhol que foi missionário em Cuba, a proteja, e a Virgem da Caridade do Cobre, celestial padroeira da Ilha caribenha, abençoe o heroico povo cubano.