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ALAGOAS CONTRA O MOSQUITO

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Em 2015, o mundo se viu diante de um grande desafio de saúde pública. Em um curto espaço de tempo, médicos começaram a identificar um aumento sem precedentes no número de crianças nascidas com microcefalia no Brasil. Este grave problema foi associado ao vírus zika, mais uma doença transmitida pelo Aedes aegytpi, o mesmo mosquito responsável pela dengue e chikungunya. Em alguns meses, os casos se espalharam pelo mundo, e a Organização Mundial de Saúde decretou estado de emergência de saúde pública internacional. Naquele momento, o Brasil inteiro se uniu para combater o mosquito. O Governo Federal realizou uma série de ações, em parceria com estados e municípios, para mobilização da sociedade. Um amplo trabalho foi feito e conseguimos sensibilizar a população sobre os cuidados para evitar a proliferação do mosquito. A Olimpíada, que muitos apontavam como um perigo pela aglomeração de turistas de todo o mundo, transcorreu normalmente sem a notificação de nenhum caso das doenças associadas ao mosquito. Porém, o arrefecimento dos casos não pode enfraquecer a luta contra o mosquito. Levantamento feito este mês pelo Ministério da Saúde em parceria com os municípios brasileiros revelou que 855 cidades estão em situação de alerta e risco de surto de dengue, chikungunya e zika no Brasil. Em Alagoas, das 38 cidades analisadas, apenas 36% (14) estão em situação satisfatória. Temos oito municípios com alto risco de epidemia, como Arapiraca, Girau do Ponciano e Major Izidoro, e 16 em estado de alerta, como Coruripe, Campo Alegre e Santana do Ipanema. Esses dados demonstram que ainda temos um grande desafio pela frente. No Nordeste, temos uma realidade que nos coloca em uma situação de alerta ainda maior, que é a grande concentração de armazenamento de água em tonéis, tambores e caixas d?água. Esses depósitos são os principais criadouros do mosquito em nossa região, seguidos de depósito domiciliar e lixo. Por isso, começamos hoje uma grande mobilização em todo o território nacional contra o Aedes aegypti. Em um esforço conjunto dos governos federal, estaduais e municipais, 220 mil militares das Forças Armadas (homens e mulheres) visitarão residências em busca de focos do mosquito. A ação do Dia Nacional de Mobilização conta com a participação de todos os ministros de Estado e outras autoridades dos governos federal, estaduais e municipais. À frente do Ministério do Turismo, estou totalmente engajado nesta mobilização. Disponibilizamos em nossa página na internet informações sobre saúde do viajante. O conteúdo, disponível nos idiomas português, inglês, espanhol e francês, é produzido e atualizado constantemente em parceria com o Ministério da Saúde. Além das informações de qualidade para turistas, temos ainda o desafio de atingir os estabelecimentos de Turismo para proteger também os trabalhadores do setor. Por isso, utilizamos o Sistema de Cadastro de Profissionais que atuam no Turismo, o Cadastur, para falar com mais de 58 mil estabelecimentos do setor. Nesse contato, sugerimos algumas medidas para evitar que os estabelecimentos se transformem em criadouros do mosquito, como a limpeza das piscinas, cuidado com a lavagem dos jardins, manutenção dos ralos fechados, entre outros. Os hotéis, por exemplo, podem instalar telas nas janelas e oferecer repelente aos hóspedes. Também iniciamos uma grande mobilização junto às prefeituras e construtoras para ampliar o cuidado com a limpeza dos canteiros de obras. O Ministério do Turismo tem mais de quatro mil obras de infraestrutura turística em execução no Brasil, e esses pontos também podem se tornar grandes criadouros de mosquitos. Pensando nisso, o elaboramos uma cartilha ilustrada com os cuidados que devem ser tomados nos canteiros de obras, como a limpeza dos entulhos para evitar o acúmulo de garrafas e outros materiais descartáveis e a vistoria das calhas e vedação das caixas d?água. O combate ao mosquito não pode parar. Enquanto ainda não se tem disponível no mundo uma vacina para o vírus zika, a destruição dos criadouros é a única forma de prevenção da doença, protegendo gestantes e crianças. São gestos simples, mas que podem salvar vidas.

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