Opinião
Esperan�a de vida
A Tábua Completa para a Mortalidade do Brasil em 2015, levantamento feito pelo IBGE, mostra que a expectativa de vida de um brasileiro nascido em 2015 é de 75 anos, cinco meses e 26 dias, o que representa um ganho de cerca de três meses em relação a 2014 e de 30 anos na comparação com 1940. Os dados apontam, entretanto, que as chances de um homem morrer entre 20 a 24 anos se tornaram 4,5 vezes maiores que as de uma mulher na mesma idade. Em 1940, a diferença era de apenas 1,2 vez e, segundo o IBGE, o fenômeno é comum em países que passaram por um rápido processo de urbanização e formação de metrópoles, como o Brasil. A mortalidade de jovens por causas externas ? como acidentes de trânsito e violência ? é o principal fator que afasta a esperança de vida no Brasil da registrada em países desenvolvidos, embora, nas últimas décadas, essa diferença tenha diminuído significativamente. Fatores como a mortalidade infantil e o acesso à saúde pela população idosa mostram que a diferença se estende ao longo de todas as faixas etárias. Por outro lado, de acordo com o IBGE, o ritmo de crescimento da esperança de vida ao nascer no Brasil continua mais rápido que o da média de países desenvolvidos. O País ganha aproximadamente três anos a cada década, e as nações mais ricas têm acréscimos de dois a dois anos e meio. O aumento da expectativa de vida é resultado da melhoria dos indicadores sociais. Ações de saúde, saneamento e vacinação, além de maior escolaridade das mães, fizeram a mortalidade infantil despencar, embora algumas regiões ainda apresentem índices de países subdesenvolvidos. Os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, também contribuíram para a melhoria das condições de vida das camadas mais pobes da sociedade. Essa situação traz também novos desafios, e o principal deles é como lidar com o envelhecimento da população. O País terá de se preparar para lidar com essa realidade, que tem impacto direto sobre o sistema de saúde e a previdência e impõe novas demandas. Desde já, é preciso elaborar e executar políticas públicas voltadas para a chamada terceira idade, que leve em conta questões como saúde, lazer, cultura, esportes, acessibilidade, mobilidade urbana, entre outros aspectos. São políticas que já não se pode deixar para mais tarde.