Opinião
Estagna��o
O Brasil registrou uma queda de pontuação nas três áreas avaliadas pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa): ciências, leitura e matemática. O resultado, com dados de 2015, também refletiu uma queda do Brasil no ranking mundial: o País ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática. No geral, os dados apontam uma estagnação em um patamar muito baixo, apesar da melhora registrada em anos anteriores. A prova é coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi aplicada no ano de 2015 em 70 países e economias, entre 35 membros da OCDE e 35 parceiros, incluindo o Brasil. Ela acontece a cada três anos e oferece um perfil básico de conhecimentos e habilidades dos estudantes, reúne informações sobre variáveis demográficas e sociais de cada país e oferece indicadores de monitoramento dos sistemas de ensino ao longo dos anos. O desempenho brasileiro no Pisa mostra que é preciso repensar a educação básica no País. Uma das prioridades deve ser investir na formação e na valorização do professor. É fundamental, por exemplo, rever os cursos de formação inicial e continuada, de maneira que os docentes estejam preparados para os desafios da sala de aula, além de lhes oferecer melhores condições de trabalho e de salário. Hoje, no Brasil, o magistério é pouco atrativo para os jovens, ao contrário do que ocorre nos países que estão no topo do ranking mundial do Pisa. Nesses países, ser professor é sinônimo de prestígio social, algo que já ocorreu no Brasil, mas foi se perdendo ao longo das últimas décadas. Com isso, em muitos casos, a profissão acaba sendo a última opção, principalmente para aqueles que não conseguem entrar em áreas de maior visibilidade e status. O Pisa 2015 também apontou a defasagem do investimento brasileiro em educação comparado a outros países. Segundo o relatório, o gasto acumulado por aluno entre 6 e 15 anos de idade no Brasil (38.190 dólares) equivale a 42% da média do gasto por aluno em países desenvolvidos. É necessário, pois, aumentar os investimentos em educação básica. Entretanto, esses recursos precisam ser convertidos em melhores resultados na aprendizagem dos alunos. Para isso, deve-se combater o desperdício e a corrupção e implementar políticas públicas eficientes.