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IGREJINHA DO BANANAL

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A igrejinha é o prédio histórico mais relevante do povoado. Bom Jesus dos Martírios é nosso padroeiro. A imagem do santo é antiquíssima. Relatos históricos indicam que a escultura é reminiscência de quando o Bananal ainda era reduto escravo e fazia parte da ?cerca real dos macacos?. O templo, antes, era um pequeno nicho de madeira, cuidado por uma descendente de ?negros livres?. A igrejinha ?foi substituída por uma capela de simples e bonita arquitetura? (Cícero Vasconcelos, ?O Bananal dos Meus Avós?, 1964). Foram os ancestrais de minha família ? Vital dos Santos, Teixeira de Vasconcelos, Leite Passos ?, quem construíram, na década de 1860, a atual capela. Em 1897 a igreja foi reformada e ampliada, conforme inscrição na sua atual fachada. Os bananazeiros sempre tiveram uma vida religiosa intensa. Sacerdotes residiram no antigo engenho, desde meados do século XIX: os padre Manoel da Costa e Antônio Soares de Melo, dentre outros. No século XX, citamos os sacerdotes Machadinho, Jatobá, Luiz Marinho, Luiz Henrique, Cícero e, mais recentemente, o padre Geison, que interagiram para a preservação da religiosidade do nosso povo. Vários descendentes das famílias bananazeiras seguiram vida religiosa: padre João Vasconcelos Teixeira, Mons. Cícero Teixeira de Vasconcelos, Cônego João Leite dos Passos, diácono Pedro Teixeira de Vasconcelos. Tivemos e temos várias religiosas na família. Atualmente a família bananazeira ainda desfruta da convivência dos descendentes de sua terceira geração (meus tios e tias), eles, acima dos 85 anos. Já perambulam pelo arruado do povoado, meus netos e os netos dos meus primos, representantes da sétima geração. O ponto central do povoado é o largo da igreja, local de encontro dos parentes. Invariavelmente, membros de nossa família que ali residem, reúnem-se ao redor do cruzeiro, sempre nas primeiras horas da manhã, para tomar sol; à tardinha, ao pôr do sol; e à noite, onde demoram por mais tempo, conversando animadamente. O largo da igreja também é o local onde ensaiamos os pastoris familiares e observamos as crianças, todos primos, que, em correria, brincam sadiamente pelo arruado. Como filho do Bananal, primo pela conservação e aprimoramento do nosso povoado. Recentemente promovi uma campanha para pintura da igreja. Fui bem aceito. Os familiares colaboraram e a igrejinha está de roupagem nova e na expectativa da ornamentação do Natal. Estamos orgulhosos com o resultado. Não é fácil, não foi fácil falar em dinheiro, mas entenderam que a igrejinha é a imagem viva dos tempos dos nossos antepassados. É nossa história que precisa ser preservada para as futuras gerações. Meu trabalho foi árduo. Fui teimoso. Meu temperamento é de criar, movimentar e fazer. Embelezei nosso povoado, valorizei nosso patrimônio e no final alegrei os primos, meus familiares. Na noite de Natal as luzes vão brilhar anunciando vida plena para todos nós. Aproveito, em nome da comunidade, para dar boas-vindas ao novos orientadores espirituais da paróquia de Viçosa, o padre Fernando Bezerra, pároco e o padre José Cícero, vigário paroquial. Nossa igrejinha, que abriga nosso padroeiro, Bom Jesus do Martírios, e os fiéis da comunidade, os esperam com a maior cordialidade possível. Que suas catequeses em nossa Viçosa seja viçosa, exitosa e saudável.

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