Opinião
LI��ES DO ACASO
Os bons observadores dos fatos da existência afirmam que não devemos deixar por conta do acaso os nossos melhores sonhos. Prevalece a ideia de um necessário planejamento e esforço para se colher os frutos almejados. Um reconhecimento de que os projetos e as metas mais importantes, traçados pelos nossos ideais, exigem um trabalho de construção e uma determinação consciente para serem alcançados. No entanto, a história pessoal de cada um revela que, ao examinar a trajetória de nossas vidas, descobrimos que a maior parte das coisas boas que nos acontece seria por obra do acaso. A presença do imponderável guiando a força dos acontecimentos. A ciência política de Maquiável, sábio italiano, elegeu a virtude (boas qualidades) e a fortuna (sinônimo de boa sorte) como símbolos dos ornamentos dos homens favorecendo os resultados de seus destinos. Valores que projetam suas vitórias nos cenários das disputas humanas. A fortuna seria a deusa da boa sorte. Capaz de estabelecer equilíbrio com a virtude para fazer triunfar a vida dos príncipes-governantes ou dos cidadãos. Traduz o acaso, o imponderável, o curso imprevisto da história, o destino cego e bendito dos acontecimentos Os italianos falam ?occasione? diante do surgimento dos fatos. O escritor e ex-ministro Marcílio Moreira Marques ao dissertar sobre o tema e a referida obra florentina, sentencia: ?a chave da fortuna se encontra na oportunidade?. A ocasião precisa ser bem desfrutada para consolidar os fatos desenhados. Os nossos antepassados sempre valorizaram o bom exercício das oportunidades. Existe uma permanente advertência contra aqueles que não sabem aproveitá-las. Skinner, ao comentar a renomada obra de Maquiável, deu destaque ao caráter instável da deusa da sorte reconhecendo que não devemos muito confiar, na duração de tempo, de seus favores. O romantismo participa das esperanças da sorte e admite ? acaso perfeito é aquele que faz um primeiro olhar virar uma grande paixão.