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Opinião

QUEM ABANDONOU O NAVIO?

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Assumo que tive vontade! Mas também posso apostar que em 2016 mais de 90% dos profissionais brasileiros compartilharam essa agonia ao menos um dia que seja. Na rotina de visitar clientes, conversar com candidatos, parceiros e empresários em geral, a incerteza que nos abalava no início do ano foi tamanha que o pessimismo era notoriamente generalizado. Quem se mantinha empregado acordava todos os dias pensando se seria o próximo a visitar o RH. Já os que tinham o emprego ?garantido?, acumulavam a função do par que fora demitido semanas antes ou descia na operação por falta de braço na equipe. Mas passado o ápice da tormenta, pergunto-lhes: o que você, executivo ou empreendedor, aprendeu este ano? De partida, creio que passamos a respeitar mais o mercado e que, sim, a política tem que fazer parte da nossa rotina. Vínhamos em uma toada de crescimento contínuo, dois dígitos e avante, ignorando cenário internacional, ignorando cadeia produtiva, ignorando liquidez futura, inflando salários, fechando os olhos para índices internos que nos mostravam que em algum momento o Brasil teria que ?pagar a conta?. Pois é, ignoramos inclusive a corrupção e os desvios, pois a economia ia bem e, abraçados à filosofia do ?fim justifica os meios?, achávamos que nada poderia mudar o ?jeitinho brasileiro?. 2016 me remeteu a uma navegação. Com todo o vento a favor, velocidade alta, mar calmo, tudo às mil maravilhas. Mas ao primeiro sinal de tempestade, o bom marujo já acerta seu plano, suas velas, seus equipamentos e se prepara para o pior. Evitando bater de frente com a intempérie. Infelizmente o mercado brasileiro não se mostrou um velho lobo dos mares. Não nos preparamos adequadamente e optamos por encarar a tempestade com a cara e a coragem. Afinal, não passaria de uma marolinha. Seria só mais uma crise dentre as tantas que já vivemos. O lado positivo de todo esse desacerto? Aprendemos que não dá para comandar o navio sozinho. Volto a dizer, temos que respeitar as forças do mercado. Não que não devemos desafiá-lo, mas com muito mais planejamento do que nos acostumamos ? e acomodamos. Resiliência e flexibilidade venceram o Oscar em 2016 na categoria ?Competências?. Quem se atreveu a navegar sem elas, arrisco dizer que se afogou. A cada dia, a cada semana, aprendemos a nos reinventar, a gerir mais de perto o caixa da empresa, a olhar as ações da concorrência, a ficar ao lado dos clientes, a cuidar melhor das relações com os stakeholders. Tenho certeza que estamos mais fortes e preparados para encarar mares revoltos que virão futuramente. Aprendemos a duras penas como atravessar uma das piores crises da história, ainda que a retomada seja mais lenta do que prevíamos. Aos trancos e barrancos, rumamos para um 2017 um pouco menos turbulento, algumas nuvens já se dissiparam, alguns raios de sol ameaçam a surgir. Minha dica é: prepare-se. O céu pode clarear a qualquer momento e quem estiver com o barco configurado vai liderar a regata. Mas cuidado, trovoadas isoladas podem continuar nos surpreendendo.

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