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Opinião

NESSES MARES REVOLTOS, EXISTE ALGUMA BOIA DA SALVA��O?

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Decisão meia-sola do Supremo; delação da Odebrecht que leva para o esgoto boa parte dos partidos que estão no poder, sem poupar o seu núcleo pétreo, isso logo depois de um doloroso processo de impeachment. Uma mistura tóxica a ferver em caldeirão de uma economia em frangalhos. Para alguns sábios, muito mais do que acadêmicos como Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freire, só os humoristas conseguiriam explicar esse Brasil inzoneiro. Vem do Millôr Fernandes a expressão ?Não devemos resistir às tentações. Elas podem não voltar!?, que explica aquele presidente do Tribunal de Contas do RJ que se locupletou da roubalheira da Odebrecht, e cuja única defesa foi afirmar que seus pares o pressionavam ávidos por suas porções: mas os tribunais de contas não deveriam fiscalizar e coibir a roubalheira? Pena que o haikai do Millôr (?Viva o Brasil/onde o ano inteiro/É primeiro de abril?) seja apenas uma piada, pois enfrentando a pior recessão, as piores crises econômica e social da nossa história, o que vemos é um perigosíssimo e crescente descrédito nas instituições, sem poupar o Supremo, que infelizmente, para a maioria das pessoas, age muito mais política do que juridicamente. Dentro dessa realidade trágica é fundamental apurar os vazamentos das delações da Odebrecht e quais suas maléficas intenções, ver com preocupação a queda vertiginosa da popularidade do governo Temer e as movimentações em direção às soluções inconstitucionais, onde, provavelmente, os irresponsáveis populistas ressurgiriam descaradamente. Nesse cenário aumentam as dificuldades para defender as indispensáveis Reforma da Previdência e a implementação do Teto dos Gastos Públicos. Sérgio Porto, diante de cenário público muito mais ameno, e infinitamente menos criminoso do que esse atual, gritou: ?Ou restaure-se a moralidade, ou nos locupletemos todos!?, era uma indignada piada. Porto sempre viveu à custa de seu talento e de seu trabalho, assim como, acredito, vivem os milhares de brasileiros que foram às ruas desde 2013 protestando contra a corrupção e o mau uso dos recursos públicos. O confuso cenário nacional deixa os brasileiros atônitos e sem enxergar no horizonte uma saída razoável. Será preciso refletir bastante e tentar separar criteriosamente o joio do trigo, resistir às soluções milagrosas, inconstitucionais, e seguir a seríssima recomendação do Millôr ?Se você agir sempre com dignidade, pode não melhorar o mundo, mas uma coisa é certa: haverá na Terra um canalha a menos? .

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