Opinião
UNIDOS DIANTE DA CRISE
Diante da crise, o Brasil precisa retomar uma trajetória virtuosa de redução das desigualdades econômicas e sociais, de contínua expansão do acesso ao consumo de bens e serviços por todos os seus habitantes, de garantir direito universal e público à educação, saúde, mobilidade, comunicações e segurança. É o que está na Carta de Barra Bonita, documento que resultou do encontro Engenharia Unida, realizado no mês passado, em São Paulo. Mas como atingir tal grau de excelência quando parte da sociedade perde a fé nas instituições e se volta para soluções excludentes? O que se vê hoje nas ruas é o teatro do radicalismo patrocinado por grupos totalitários e por parcela da mídia incendiária. Como, então, sentar para discutir soluções para o Brasil? Esse o nosso desafio. Nós, engenheiros, por intermédio da Federação Nacional dos Engenheiros, estamos nos propondo pensar o País e apontar soluções, como está na carta mencionada: ?O Brasil precisa se reorientar em direção à efetiva melhoria da vida dos brasileiros. Aprimorar de forma factível e eficaz a vida de todos nós brasileiros exige muita engenharia. Uma engenharia que possa desempenhar esse papel demanda engenheiros reconhecidos e valorizados?. No Congresso Nacional presido a Frente Parlamentar Mista de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, da qual fazem parte não apenas engenheiros. As propostas da Engenharia Unida conquistaram parlamentares dispostos a não esmoreceram diante da crise. E essa crise é como nunca vista, atinge os três poderes com risco de paralisia institucional. Portanto, qualquer movimentação deve apontar imperiosamente para uma saída, nunca para o imobilismo. Nesse momento é simples parar e jogar lenha na fogueira do caos nacional, difícil é ter o tirocínio e sangue-frio para apontar soluções. E é o que estamos fazendo. Contudo, não podemos atravessar esse mar turbulento abrindo mão de conquistas históricas, como os direitos trabalhistas e a valorização da saúde e educação. Neste ponto, vamos resistir e assegurar que as medidas que surgem para ajustar a economia sejam amplamente discutidas, não impostas sob a égide de que são um mal necessário. Temos sofrido duras críticas, a Câmara e o Senado estão sob ataque, mas não vamos recuar diante da intolerância. Vamos continuar seguindo a trilha da democracia, ora acertando (e resistindo às críticas), ora errando (e sabendo reconhecer o erro), mas sempre procurando cumprir o dever cívico.