Opinião
Pa�s dos enforcados
Levantamento feito pela Rio Bravo Investimentos mostrou que, nos últimos 12 meses, cerca de R$ 1 trilhão deixou de circular pela economia brasileira. O montante equivale aos créditos que foram sendo pagos pelos devedores, mas não voltaram ao mercado sob a forma de novos empréstimos. Para os especialistas, isso mostra que o Brasil vive atualmente uma crise de crédito, que precisa ser desatada para que o País volte a crescer. O Brasil é hoje um país de ?enforcados?. Todos estão muito endividados: famílias, empresas, municípios, estados e, inclusive, a União. Cerca de 22% do orçamento familiar está comprometido com o pagamento de juros de dívidas. As empresas também estão com geração de caixa abaixo de suas despesas financeiras. Os bancos temem novos calotes, por isso já não querem emprestar mais neste ambiente de recessão. Em um momento de crise, incerteza, falências, derretimento de ativos, e títulos públicos rendendo quase 15% ao ano, os bancos só vão emprestar a empresas muito sólidas, cobrando taxas de juros muito acima da média mundial. Entra-se, então, num círculo vicioso. Situações assim costumam ser longas e penosas. O que acelera o alívio é uma intervenção dos governos, como ocorreu nos Estados Unidos após o estouro da bolha imobiliária, que arrastou também os bancos. No caso brasileiro, o sistema bancário continua sólido. Os economistas, entretanto, não chegam a consenso sobre os remédios mais eficazes. Um desses remédios seria fazer incentivos setoriais, mas isso só aliviaria algumas empresas à custa de toda a sociedade. Um caminho mais amplo seria uma reforma do crédito, começando pela liberação dos compulsórios, isto é, aqueles recursos dos bancos depositados no BC, com baixíssimo rendimento e que não podem ser emprestados. São mais de R$ 300 bilhões parados, que poderiam dinamizar o crédito para todas as empresas. Uma mudança no sistema de tributos também seria muito bem-vinda. É fundamental o governo se preocupar com o ajuste das contas públicas, mas também é urgente debelar a atual crise de crédito pode evoluir para o risco de insolvência geral. A equipe econômica vem acenando com algumas medidas para tentar mudar esse quadro, mas há dúvidas sobre a eficácia delas. O alívio ainda deve demorar.