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Opinião

CONSELHO DE PESSIMISTA

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Enfim chegou ao congresso a tão antecipada reforma da previdência. Além da idade mínima de 65 anos, para se aposentar com vencimento integral o sujeito tem de ter começado a trabalhar (e contribuir) aos 16 anos. A aposentadoria rural será virtualmente extinta. Os menores vencimentos não estarão mais atrelados ao salário mínimo. Outros cálculos draconianos sobre as regras de transição e pensões terminaram por pintar um quadro assombroso para o futuro o trabalhador. Antes de discutir qualquer um desses pontos, contudo, é preciso definir uma questão primordial, a reforma é necessária? É óbvio que um retrocesso tão grande de direitos só se sustenta se as alterações forem completamente inevitáveis, se a previdência nos moldes atuais for verdadeiramente insustentável. O grande problema é que, enquanto as entidades patronais afirmam que existe um colossal deficit nas contas, que irá explodir nas próximas décadas, inviabilizando o País a longo prazo, os sindicatos afirmam que a previdência na verdade é superavitária, e que o rombo seria uma criação ficcional do governo. Mas como podemos nós, reles mortais, saber quem está falando a verdade? Quem tem condições de saber se o problema é o ?fim do bônus demográfico de pirâmide intermediária? ou o ?não repasse, por meio da DRU, do PIS-Pasep devido à seguridade social?? Quem pode inferir se um gasto projetado da alínea de 8% para 13% do PIB nos próximos 30 anos é ou não demasiado? Só tem duas soluções, ou abrimos mão do mínimo que nos resta de tempo livre para estudar isso a fundo, ou, para quem preferir manter a sanidade, não tem jeito, vamos ter que acreditar em alguém. Nesse caso, tenho uma dica. As pessoas que dizem que o problema da previdência é uma invenção são as mesmas que, há 3 anos, diziam que os sinais da crise eram apenas alarmismo de gente pessimista. Apesar dos dados pulando aos olhos, preferiam lutar contra os números e achar que tudo não passava de uma campanha negativa da mídia liberal para influenciar as eleições. Pagamos para ver e deu no que deu. Se não a gênese, ao menos parte da profundidade do atoleiro em que estamos é culpa da demora em aceitarmos a dura matemática dos fatos. Se um atraso de alguns meses nos levou a esse caos, imagine o que vai acontecer se esperamos 30 anos antes de encarar mais essa realidade.

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