Opinião
Cont�nuo fazer
DOM FERNANDO IÓRIO * Não se pode chegar à paz pela violência, muito menos pelo terrorismo, nem pelo medo, nem mesmo pela ameaça, pela destruição... Todos esses caminhos culminam em menos paz. Não existem caminhos para a paz, vez que a Paz, conforme Gandhi, é o caminho. A paz não é algo pronto, senão contínuo fazer. É obra da justiça e do amor. É aquele crescente fazer-se, sem retrocesso. É processo dinâmico e permanente capaz de afetar todas as pessoas e instituições, vez que estas devem ter por objetivo o bem comum. Não deixa a paz de ser dinâmica, por ser a realização da justiça e da igualdade. Sua conquista suprema representa harmonia do ser humano consigo mesmo, com os outros, diferentes ou semelhantes, com a natureza e com Deus. É por isso que a educação para a paz é a resposta mais correta, nobre e eficiente para se vencer a violência da guerra. Não sou o primeiro e muito menos o último a afirmar que político algum pode ser chefe de Nação se não for educado para a paz. Permita-se-me declarar que a proposta de uma educação para a paz se fundamenta em dois conceitos básicos: prevenir a violência e a agressividade e criar um projeto digno para cada pessoa na educação para a paz. Estou em que, nos tempos atuais, nenhuma guerra é lícita, tendo em vista os meios modernos de destruição em massa. Daí a paz é bem que todos desejamos. É o nome de um desejo. É a aspiração do inquieto coração humano que deseja uma ?constante tranqüilidade na ordem? de viver. De qualquer maneira, é a aspiração a uma sociedade reconciliada; é palavra humana que brota, incessantemente, da experiência agônica da vida pessoal e social. Em se tratando de paz exterior, encontramo-la na criação de espaços de concórdia, na união de vínculos de fraternidade e de solidariedade, de relações calorosas capazes de criar aquele clima de confiança, onde se torna possível desenvolver a personalidade, num diálogo de tolerância mútua. Por outro lado, a paz interior manifesta calma, sossego, tranqüilidade, mansidão. Não se trata de indolência ou de apatia, senão de atitude mansa, mas firme, a caminhar unida a uma grande elevação e firmeza de espírito. Se o mundo se eleva com a proclamação e a vivência da paz, rebaixa-se à condição do instinto de agressividade animal com a declaração de guerra. Se não chegarmos a educar para a paz, ousemos procurá-la, porque ousar, quase sempre, é conseguir. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS