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Opinião

Condenado � esperan�a

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Na última quarta-feira, o papa Francisco pediu aos fiéis católicos de todo o mundo que tenham esperança porque esta é capaz de surpreender e abrir horizontes, além de permitir ?sonhar o inimaginável?, e realizá-lo. No momento em que chegamos ao fim de um ano tão difícil, de fato a esperança parece ser a única coisa que pode dar algum alento. Neste mesmo espaço, há exatamente um ano, dizia-se que, para boa parte dos brasileiros, 2015 não iria deixar saudade ? o noticiário da grande imprensa no ano anterior praticamente só falava sobre crise econômica, corrupção, degradação ambiental, violência e epidemia. Doze meses depois, é de lamentar que pouco ou nada tenha mudado e o cenário parece ser ainda mais desalentador. Com certeza 2016 deixará saudades para muito poucos. O País termina o ano mergulhado numa das mais sérias recessões de sua história, e a economia teima em não querer reagir. O desemprego bate recordes, estados e municípios decretam estado de calamidade financeira, sem dinheiro até para pagar os salários. No campo político, o Brasil viu, pela segunda vez, um presidente da República ser afastado do cargo, entretanto a derrubada de Dilma Rousseff não pôs fim à crise de governabilidade. Isso acaba contaminando o cenário econômico, pois os investidores se mantêm arisco, aguardando um momento mais propício para abrir seus cofres. O governo Temer aposta nas reformas para recuperar a credibilidade perdida, mas as medidas anunciadas encontram muitas resistências porque impõem grandes sacrifícios, principalmente para a classe trabalhadora. Mesmo assim, empresários se dizem otimistas e acreditam que a situação comece a mudar após o primeiro trimestre. O início de cada ano é sempre visto, simbolicamente, como um momento de esperança. Apesar de tudo, pois, é preciso acreditar que o Brasil dará a volta por cima. Afinal, outras crises tão graves quanto essas já foram vencidas antes ao longo de nossa história. Independentemente das tendências políticas, deve-se torcer para que a economia entre nos eixos outra vez. Mais um ano de recessão terá efeitos catastróficos para todos. Que, no final de 2017, este espaço esteja trazendo um balanço totalmente diferente do que o País tem vivido nesses dois últimos anos.

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