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Opinião

Imortalidade acad�mica

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José Medeiros * Jorge de Lima é um nome literário reconhecido pelos seus muitos méritos. Dono de uma poesia extraordinariamente bela e de escritos que nada ficam a dever aos melhores cultores da língua portuguesa, mesmo assim, não conseguiu tornar-se ?imortal? da Academia Brasileira de Letras. São considerados ?imortais? os membros das Academias, tradição nascida na França, e que perdura ao longo dos séculos. Como esses templos das letras mantêm um número reduzido de sócios, em torno de quarenta vagas, estreitam em funil as possibilidades de ingresso. É muito pouco para tantos e tão ilustres intelectuais do País. A obra desse poeta palmarino bem que merecia maior reconhecimento. Foi quatro vezes candidato à Academia, sem, no entanto, alcançar êxito. Veio-me à lembrança o poeta Jorge de Lima a propósito de um trabalho do médico e escritor Mário Jorge Jucá, apresentado em reunião da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, Regional de Alagoas, sobre os alagoanos que participaram da Academia Brasileira de Letras. Marcaram presença nessa casa maior da cultura brasileira os poetas alagoanos Guimarães Passos, Goulart de Andrade, e o escritor Tavares Bastos. Mais recente foram as participações de Aurélio Buarque de Holanda e de Pontes de Miranda. O poeta Ledo Ivo representa bem a atual geração de intelectuais alagoanos. O médico Mário Jucá contribui para o enriquecimento de estudos e pesquisas sobre a vida e a obra de nossos ?imortais?. Pós-graduado em Medicina no Brasil e no exterior volta-se agora para atividades literárias e culturais. Permita-me, o autor, que eu repita algumas histórias curiosas que são contadas sobre esses acadêmicos. O poeta Guimarães Passos fugiu de Maceió, aos 18 anos, para o Rio de Janeiro, onde se incorporou a uma forte constelação de literatos comandada por Olavo Bilac e Artur Azevedo. No seu primeiro dia, no Rio, não conseguiu sair da pensão. O Artur Azevedo (escritor maranhense) tomou-lhe emprestado o par de sapatos para ir a uma festa de carnaval. O nosso Goulart de Andrade, escritor e dramaturgo, cismou que os alagoanos não gostavam de suas peças teatrais. Proibiu apresentações nos teatros de Maceió. E Ledo Ivo, esse querido ?imortal? conterrâneo, odiava computação. Somente, há três anos, aderiu à Internet. Lendo o trabalho de pesquisa histórica de Mário Jucá recordei a maneira como conheci o mestre da língua portuguesa, dicionarista Aurélio Buarque de Holanda, durante ciclos de estudos culturais da Ufal. Era um homem sempre alegre e bem disposto. Posteriormente, aconteceu um fato pitoresco que gostaria de relatar. Na década de 70, participávamos de um Festival de Folclore, em Laranjeiras, Sergipe. Assistíamos, na praça central da cidade, exibições de manifestações populares folclóricas. Morgana, minha filha, com cinco anos de idade, passava do meu braço para os de minha esposa, na tentativa de melhor aproveitar o espetáculo. Aurélio Buarque de Holanda, ao nosso lado, sempre gentil, pediu permissão para colocá-la no ombro, assim permanecendo até o final da festa. Todas as vezes que relembramos esse fato dizemos que Morgana esteve bem próxima de um dos cérebros mais privilegiados do planeta. (*) é médico e ex-secretário de Educação e de Saúde

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