Opinião
Nome sujo
Estimativa do Serviço de Proteção ao Crédito da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas mostra que o número de brasileiros na lista de devedores cresceu em 2016, alcançando 58,3 milhões de pessoas. O número representa um aumento de 700 mil nomes na comparação com janeiro do ano passado. Segundo o levantamento, 39% da população brasileira adulta está registrada em listas de inadimplentes, enfrentando dificuldades para realizar compras a prazo, fazer empréstimos, financiamentos ou contrair crédito. Os bancos, é claro, concentram a maior parte das dívidas que existem no País: 48,26%. Os motivos mais apontados para esse alto nível de endividamento são o desemprego, queda de renda; empréstimo do nome para consumo de terceiros e compras feitas sem controle. São fatores que estão intimamente relacionados à recessão econômica, à corrosão do poder aquisitivo, decorrente da pressão inflacionária, e aos juros mais altos no mercado. A partir de 2013, a economia brasileira experimentou um forte crescimento do crédito. Com o desemprego em baixa e a renda em alta, um maior número de pessoas passou a ter acesso a conta bancária e cartão de crédito e, com isso, à facilidade de comprar bens de consumo em suaves prestações. A demanda reprimida das décadas anteriores, aliada à ausência de educação financeira e de hábito de planejamento do brasileiro, levou ao descontrole financeiro. Durante alguns anos, esse estímulo fez a festa do trabalhador, do comércio e da indústria, mas o cenário aos poucos foi mudando. O aumento da inflação corroeu os salários, e a desaceleração econômica ceifou os empregos. Resultado: falta dinheiro circulando na economia. As famílias estão mais pobres, consequentemente compram menos e o varejo sente isso. Para mudar esse cenário, é preciso, primeiramente, que o País volte a crescer e a gerar empregos, que a inflação seja controlada e que as taxas de juros caiam a patamares mais civilizados. O governo tenta passar a ideia de que os ajustes que estão sendo feitos já começaram a fazer efeito. A inflação fechou o ano abaixo do limite da meta e, por causa disso, ontem o Banco Central fez uma redução mais substancial da taxa de juros. São pontos positivos, mas ainda insuficientes para mudar o clima de desconfianças que paira sobre a Nação.