Opinião
O FIM DO LADO BOM
Por ocasião do início de mais um fórum de Davos, a ONG OXFAM divulgou um relatório chocante sobre a economia global. Os 8 homens mais ricos do mundo detêm a mesma riqueza que os 3,6 bilhões mais pobres. É verdade que boa parte desses miseráveis vivem em regiões destruídas por guerras ou onde o sistema de produção é do tempo das cavernas. Outro número, porém, não deixa dúvida de que algo está fundamentalmente errado. Chamado de ?Uma economia para os 99%?, o relatório chama a atenção para o fato de que os 1% mais ricos detêm a mesma riqueza que todo o restante do planeta, incluindo as classes médias. Outros números bizarros mostram que um diretor de multinacional ganha o mesmo que dez mil trabalhadores em Bangladesh. O homem mais rico do Vietnam ganha em 1 dia o que um trabalhador comum leva 10 anos para acumular. A desigualdade é uma das pedras no sapato do século XXI e a maior dificuldade para vencê-la é suplantar a mentalidade do século XX. Enquanto a esquerda continuar enxergando nesses dados um atestado de óbito do capitalismo e a direita continuar apenas papagueando que as tentativas de substituí-lo geraram ainda mais pobreza, nenhuma atitude será tomada. Não há sistema que gere mais riqueza que o mau e velho capitalismo. Basta esmiuçar os dados e fica evidente que o problema da banda pobre do mundo é justamente a falta de uma economia de mercado. Para a parcela desenvolvida do globo, por outro lado, é preciso combater os excessos do liberalismo. Nos EUA, nos últimos 30 anos, a renda dos 1% mais ricos aumentou 300%, enquanto a dos mais pobres ficou estagnada. No resto do mundo, enquanto os 10% mais pobres evoluíam 60 dólares por ano, os mais ricos aumentaram sua renda 182 vezes. O capitalismo não é um jogo de soma zero. Ele faz a alegria dos patrões, mas ao mesmo tempo, melhora a vida dos pobres mais do que qualquer outra coisa que já existiu. É justamente essa parte boa do sistema que parece estar se extinguindo, tendo em vista a tendência alarmante de aumento da desigualdade. As previsões são que, se nada for feito, como uma mudança nas taxações, nos próximos 20 anos 500 pessoas herdarão 2,1 trilhão de dólares. Lutar contra a desigualdade não se trata de expropriar a riqueza dos Trumps do mundo, trata-se de perguntar se é justo que seus filhos se tornem bilionários apenas por terem herdado o topete.