Opinião
FAC��ES E ESTADO
As chacinas e massacres nas prisões brasileiras são de estarrecer. Não menos estarrecedora é a cobertura de muitos jornais e ?analistas?, que se comprazem a repetir lugares-comuns, como se tudo pudesse ser reduzido à superlotação de presídios. Tampouco faltam esses representantes do politicamente correto que chegam a propostas absurdas, como a da liberação de drogas ou a do simples esvaziamento desses presídios, enquanto soluções para o problema. A seguirem esse caminho, as ruas teriam um outro tipo de superlotação, a de assassinos, estupradores e traficantes a ameaçarem a vida dos cidadãos em geral. Se ruim já está a segurança, imaginem como poderia ficar! As declarações dos ditos representantes dos direitos humanos mostram, por sua vez, uma completa deturpação de conceitos. Seriam demandados a proteger pessoas que não se encaixam propriamente na categoria de humanos. Cabeças decepadas, corações arrancados, entre outras barbaridades, mostram um tipo de ?humano? que não poderia, de jeito nenhum, voltar ao convívio humano. Aliás, se liberados, deveriam ficar sob a responsabilidade desses representantes dos direitos humanos, que os teriam sob a sua guarda. Poderiam testar suas convicções em vez de transferirem essa responsabilidade para as pessoas comuns. Com ou sem superlotação, o problema consiste nas facções que disputam o poder dentro dos presídios, tendo como escala todo o território nacional. Já começam a alcançar também os presídios femininos. Trata-se de ?Estados? dentro do Estado. As organizações criminosas ganham o estatuto de órgãos paraestatais, com hierarquia, subordinação, códigos de conduta, uso da violência sob comando, redes eletrônicas de comunicação, entidades financeiras e áreas de atuação e negócios. Saliente-se que não estamos diante de explosões súbitas de violência, que poderiam ser expressões de injustiças lá cometidas, mas de atos de violência organizados. Tão organizados, que ganham dimensão midiática, com fotos das atrocidades cometidas, divulgadas por WhatsApp. Procuram, a seu modo e seguindo seus próprios códigos, dar exemplos, que deveriam ser imitados por seguidores efetivos e potenciais, ameaçando a todos os demais. Nenhum Estado digno deste nome pode conviver com tais Estados em seu interior. E não serão as expressões dos ?direitos humanos? e do politicamente correto que poderão oferecer soluções. A baboseira das palavras tem também o seu limite.