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IMIGRA��O E MISERIC�RDIA

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Morando em Roma, fui recentemente a uma cidade do Norte da Itália para ajudar um padre em sua paróquia. Lá, diante de tantas realidades novas, encontrei uma iniciativa que ainda não é tão presente como poderia ser em outros lugares. Um apartamento pertencente à Igreja foi transformado numa casa de acolhida, onde dois imigrantes, um do Afeganistão e outro do Combo, estava morando. Um grupo de leigos de três paróquias davam toda a assistência para que aqueles dois pudessem viver de forma digna ali. Este apoio permitiu que eles tivessem a oportunidade de encontrar um emprego e assim estavam dando passos para a sua própria autonomia. De fato, irão sair daqui a um mês do lugar e outros virão para ocupar o posto. A ideia era justamente acolher e fazer com eles pudessem ter a estrutura para assumir o que compete a uma nova vida em outro país. Fomos então a um restaurante para jantarmos e partilhamos o que havia acontecido nos últimos meses e como eles estavam se sentindo. Então soube que os dois eram muçulmanos e a conversa foi bastante interessante, uma troca de experiências. Esta particularidade me tocou, pois vi em toda aquela ação uma caridade de verdade. O fim último não era fazer proselitismo, ou seja, ?converter? aqueles refugiados à nossa fé. O amor declarado em gestos foi oferecido pelo que ele realmente é. Sem esperar nada disso, tanto que eles decidiram permanecer em sua crença. Mas, algo foi acrescido! Havia um respeito imenso pela Igreja Católica e eles se encontravam felizes todas as vezes que estavam com os membros da nossa família. A caridade foi além das diferenças. É de fato, um reflexo divino. Conversando com outros padres brasileiros vi que esta atitude não é comum em outras realidades. Muitos têm medos das consequências da imigração e aqui de fato há uma discussão acurada sobre esta temática. O Santo Padre tem insistido muito nessa questão e tem agido para que nós cristãos possamos dar testemunho de uma verdadeira acolhida. É estar na contramão! Isso eu vi com meus próprios olhos. Inúmeros são os medos e colocações quando se pensa no futuro. É fácil constatar que as pessoas estão intimidadas. Nos jornais, o número de imigrantes na Itália cresceu exponencialmente no último ano. Como cristãos devemos ter uma atitude diante dessa realidade. Nosso Papa é um sinal de qual caminho seguir.

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