Opinião
O PETR�LEO � NOSSO
A Petrobras foi criada em 1953, por Getúlio Vargas, depois de décadas de uma disputa que dividiu o País entre ?nacionalistas? e ?entreguistas?, resumida no lema ?o Petróleo é nosso?. O debate opôs aqueles que defendiam a exploração petrolífera por empresas estrangeiras e os que sustentavam o monopólio estatal. Venceu o nacionalismo e a Petrobras se tornou uma das maiores empresas do mundo. Mas eis que como rememorando o passado, a atual gestão da estatal resolve abrir licitação para Unidade de Processamento de Gás Natural do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e convida apenas empresas estrangeiras, trinta ao todo, e reacende a polêmica nacionalista. Na segunda-feira, 16, ao lado de representantes do Crea-AL, Clube de Engenharia, Sindicato da Indústria e da Construção Civil e Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, concedemos entrevista coletiva, com o presidente da Frente Parlamentar Mista de Engenharia, alertando que a decisão fere a nossa soberania e alija nossos técnicos, cuja capacidade é reconhecida internacionalmente. A justificativa para a decisão surpreendente é que as empresas brasileiras estão envolvidas na Operação Lava Jato e, por conseguinte, impedidas de participar do certame, o que é um sofisma. Há empresas, sim, em condições de participar; estão seguindo as determinações legais e firmando acordos de acompanhamento e monitoramento interno. Por outro, lado existem empresas de médio porte brasileiras que estão isentas de processos, portanto aptas para o trabalho. Das trinta estrangeiras selecionadas, nove não possuem sequer escritório no Brasil, o que leva ao questionamento sobre a capacidade técnica para executar uma obra fundamental para o pré-sal, segundo afirmou Pedro Parente, presidente da Petrobras. Como se não bastasse, a remessa de lucros para exterior é algo afrontoso. Depois de lutarmos tanto para fugirmos da dependência econômica estamos de volta ao começo colonialista. A partir de Alagoas, estamos desencadeando uma campanha para rever o descalabro. A Petrobras não pode assumir uma posição temerosa porque gestões passadas foram coniventes com a corrupção. Devemos aprender com os erros e cuidar para que eles não se repitam, mas não podemos sacrificar nossa soberania diante da possibilidade de que algo possa dar errado. A capacidade técnica da nossa engenharia, a expertise que conquistamos não podem ser descartadas por um edital intempestivo. Vamos lutar para que a decisão se reverta. Num País em crise, assolado pelo desemprego, não podemos abrir mão da geração de renda, e, afinal de contas, o petróleo é nosso.