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Bicho-de-p� e a mis�ria social em Macei�

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Mesmo antes desse inquietante estado de nossa economia, grande parcela da população brasileira já sofria com a disparidade na distribuição da renda. A riqueza esteve e continua concentrada nas mãos de uma parcela restrita da sociedade. Mas a crise econômica dos últimos dois anos aprofundou as mazelas sociais por todo o País. O estado de incerteza em que o Brasil foi mergulhado, agudizou a pobreza, favorecendo o incremento dos bolsões de miséria por toda parte. Empurrados para áreas marginalizadas, milhões de brasileiros seguem vivendo em locais desprovidos de infraestrutura básica (pavimentação, esgoto, água tratada), em habitações extremamente precárias. Tal situação de miserabilidade atesta a realidade analisada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para quem mais de 30% das mortes que acontecem todos os dias no mundo estão relacionadas às causas da pobreza extrema. Em pleno século 21, o mundo registra mortes por doenças que poderiam ser prevenidas e curadas com custo muito baixo, como fome, diarreia, pneumonia e tuberculose. A bela Maceió está entre os cantos do planeta onde milhares de pessoas sobrevivem em condições sub-humanas. Uma das manchetes da edição dessa sexta-feira, 20, da Gazeta de Alagoas, mostra de modo explícito a exclusão social, o abandono em nossa capital. A reportagem do jornalista Thiago Gomes, expôs o drama de moradores da favela Sururu de Capote, às margens da Lagoa Mundaú, no bairro Vergel do Lago, que estão literalmente sendo devorados por bichos. Dezenas de pessoas, com ferimentos nos pés, mal consegue andar. A suspeita é de que sejam vítimas do bicho-de-pé, um tipo de pulga, conhecida como Tunga penetrans. Doença do subdesenvolvimento. As vítimas sofrem há mais de dois meses, sem assistência dos órgãos de saúde. O quadro chocante, revela o descomprometimento do poder público com a vida miserável das família que ali habitam. Esse caso na favela Sururu de Capote mostra que da miséria social não resulta apenas violência, drogas e criminalidade. Há ainda a dolorosa exclusão que não garante aos pobres assistência mínima, para se livrarem sequer de pulgas. Bicho-de-pé pode até parecer bobagem, mas o caso concreto serve para romper a aparente tranquilidade com que se convive com a desigualdade e seus efeitos.

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