Opinião
A viol�ncia se origina da desigualdade social
O Boletim Anual de Estatística Criminal divulgado, ontem, pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), mostra que em 2016 aumentou o número de homicídios registrados em Alagoas, na comparação com o ano anterior. O número oficial mostra 1.875 mortes em todo ano passado, contra 1.813 registradas em 2015. O aumento foi de 3,4%. Embora seja negativa, já que o governo aposta na redução dos homicídios, a estatística não significa a falência do plano de segurança pública que o governo tem para a administração. Tanto que mesmo com esse aumento, o número de assassinatos em 2016 ficou abaixo da estatística de 2014, quando o Estado registrou 2.201 execuções. Neste sentido, embora lamente pelo número maior em Arapiraca, que passou de 134 (2015) para 154 (2016), o governo destaca a redução dos homicídios em Maceió. Os números do Núcleo de Estatística e Análise Criminal (Neac) mostram que foram registrados 529 assassinatos na capital, no ano passado, contra 566 registros em 2015. É provável que, sem a ação ostensiva dos órgãos de segurança pública, os números teriam sido mais altos. A violência em Alagoas está majoritariamente ligada ao tráfico de drogas. As autoridades da área afirmam que os registros de assaltos a bancos, roubos de carros e outros delitos contra o patrimônio, são, em maioria, crimes são executados para dar sustentação ao tráfico. Nesse enfrentamento, o governo investe na estruturação das Polícias Militar e Civil, garantindo a seus agentes do colete ao veículo novo e moderno, da recuperação das delegacias e batalhões à realização de concurso público para aumentar o efetivo. Entretanto, nenhum governante conseguirá reduzir a criminalidade sem considerar como essencial políticas públicas que garantam saúde, educação, moradia, emprego e renda para a população mais pobre. É esse, comprovadamente, o caminho para por fim à desigualdade social e a pobreza, de onde a violência se origina. Apesar desse resultado ruim em relação aos homicídios, a estratégia do governo na área de segurança pública está dando certo. Só que, para assegurar a efetiva redução da violência, a gestão pública estadual precisa reconhecer que estatísticas favoráveis estão intimamente ligadas a desenvolvimento social.