Opinião
FRENESI DE TAXISTAS � PROPAGANDA DO UBER
O Uber veio para ficar, assim como está presente em quatrocentas cidades e setenta países, desde quando foi criado no Vale do Silício, nos Estados Unidos. No Brasil, mais de dez capitais já utilizam os serviços do aplicativo, incluindo Maceió, apesar da resistência dos taxistas. As manifestações furiosas que assistimos por aqui também ocorreram em praticamente todos os lugares e até no exterior. Essa reação muitas vezes excede os limites da tolerância, penaliza a comunidade com o bloqueio de ruas e avenidas, até aeroportos. Em alguns casos são praticados atos de violência e vandalismo. A fúria desses profissionais contra a implantação do novo serviço não passa de um tiro no pé. É a melhor publicidade que eles fazem em favor do Uber. Os taxistas, involuntariamente, são os seus garotos-propaganda. Quem nunca ouviu falar do aplicativo, passou a conhecer depois da balbúrdia. Aguçou a curiosidade das pessoas de conhecerem como funciona. Na iniciativa privada, quando não existe concorrência, é natural que aja acomodação e a consequente perda de qualidade dos serviços prestados. Taxistas e proprietários de frota não podem ser bons no que fazem se não tiverem um espírito empreendedor. É simples assim: inovar, mudar, criar e nesse caso específico, o maior investimento é a inteligência. É focar no cliente. Não é raro o passageiro entrar num táxi sujo, bancos e cintos de segurança com odor desagradável de suor, pelo relaxamento do proprietário em não higienizar o veículo. Acrescentem-se as precaríssimas condições mecânicas de manutenção. Quem não passou por isso? Quem ainda não foi atendido por um motorista que parece ter raiva quando o usuário lhe cumprimenta com o ?bom dia?, ?boa noite?! O taxista Antônio Isolino, de Recife, deveria ser exemplo para os seus colegas em qualquer lugar do País. Tinha um faturamento diário de R$ 300 até o advento do Uber ano passado, que lhe tirou 50% desse ganho. Não se lamentou e nem foi perseguir motoristas concorrentes pelas ruas. Criou o que chama de Táxi Prime. Carro impecavelmente limpo, água mineral, doces, internet wi-fi com um roteador no veículo, máquina para cartões de créditos, inscrição em todos os aplicativos de táxi disponíveis e alguns descontos, claro. Trabalhando bem arrumado e boa aparência, seu Antônio investiu apenas R$ 200 e o resultado dessa mudança fez recuperar o que houvera perdido e um pouquinho mais. O Uber cresce ocupando o vácuo criado pela própria categoria que não se preparou para o futuro e a natural evolução das demandas do mercado. Ah, é concorrência desleal, ilegal? Cabe aos órgãos competentes discutirem soluções justas como já ocorreu em outras capitais. Essa cobrança é papel do sindicato em defesa da classe. Bem mais produtivo que ficar dando ouvidos a discursos demagógicos de políticos que instigam a discórdia, esperando a recompensa do voto, amanhã.