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EU N�O ACREDITO

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Estamos vendo perplexos uma das mais fortes crises que o sistema prisional já passou. Manaus, Roraima e Natal, e agora Pernambuco, assumem a primeira página dessa crise, mas a realidade ainda é tensa em todo o País. De todos os lados, as visões mais críticas passam pelo fracasso do estado frente ao crime organizado e chegam ao debate vazio em busca de ?culpados?. Mas de quem é a responsabilidade, afinal? Ainda aprofundando a nossa desconfiança e incômodo com tamanho despreparo, o Ministério da Justiça entrega um pacote de medidas anticrise que, no mínimo, considerando as devidas proporções, pode ser compreendido como um ?enfeite?, por reproduzir o velho hábito do jeitinho brasileiro de remendar profundas gravidades e empurrar para o futuro soluções que já deveriam estar sendo seriamente discutidas, com racionalidade e menos aventura política. Garantir a presença das forças armadas, se caso for necessário, e liberar mais recursos para ampliação de um modelo que já é um fracasso, são medidas desanimadoras e comuns. Poderia nos ser oferecido um sopro de esperança com a sugestão de unificação estratégica das áreas de inteligência, mas isso resolve o que, de fato? As consequências ou as causas da crise? As respostas a partir de uma ação de inteligência unificada servem para devolver o problema a ele mesmo, e não ir além das políticas prisionais e seus equipamentos já ultrapassados. Uma coisa está clara: a política de ressocialização no Brasil faliu. Em números, não se entrega o que promete e os custos são proporcionais ao resultado social cada vez mais negativo, com cerca de 40% em regime de prisão provisória, sequer julgados e condenados. Em termos práticos, o Brasil tem a quarta maior população prisional do mundo. Eu poderia terminar por aqui, mas esse jogo de remendos se tornou ainda mais frustrante quando vi a forma com que foram tratadas as unidades de internação de adolescentes infratores. Você sabe? São quase 25 mil adolescentes empilhados em unidades pelo Brasil, os quais recebem quase nenhuma atenção por parte do ministro da justiça, Alexandre de Moraes. É fato que ?nenhuma pataca e nenhum vintém? são destinados para as unidades de medidas socioeducativas, que também vivem dias de abalo. Dá para medir, a partir desses dados, o tempo que o Governo Federal dedica para discutir políticas de segurança envolvendo crianças e adolescentes. A crise é estrutural e exige respostas estruturais. O modelo que reforça o encarceramento como única alternativa precisa ser revisto e mudanças reais também são esperadas na sociedade. Até onde vai nossa insensibilidade com a dor alheia? Nossos olhares assustados e, ao mesmo tempo, apáticos diante das cenas de destruição e desgraça nos presídios Brasil afora não são condizentes com as manifestações por mudanças. Ou o sistema prisional não nos interessa? Ele deve ser reconhecido como serviço de forte expressão no sistema de segurança pública. É preciso que o debate sobre o futuro da política de ressocialização brasileira seja aberto para a sociedade. Para que a importância democrática que é dada às políticas de saúde, educação, desenvolvimento social, por exemplo, seja também considerada para o sistema prisional. Enquanto isso, em meio à gravidade do problema que é latente, só nos resta estender as mãos aos céus e pedir para que Deus faça alguma coisa. Lamentável!

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