Opinião
As regalias e a elei��o no Congresso Nacional
Além dos constantes desdobramentos da Operação Lava Jato, as atenções do País esta semana se voltam para o Congresso Nacional. A eleição dos novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado movimenta a cena pública brasileira. Amanhã, 1º, os senadores escolherão o sucessor do alagoano Renan Calheiros, o líder peemedebista que comandou o Senado por dois mandatos consecutivos. Na quinta-feira, 2, a eleição é na Câmara, onde aliados do presidente Michel Temer batalham em trincheiras opostas. Duas batalhas, onde os vencedores, de uma Casa e da outra, levam poder político e regalias. Além do que está visível, a eleição da Câmara e do Senado representa a disputa pela administração de um orçamento bilionário. Uma reportagem do portal de notícias G1/Globo mostra que, somados, os orçamentos das duas Casas atingirão, em 2017, a cifra de R$ 10,1 bilhões. É um valor maior que os orçamentos de alguns estados e capitais. Os R$ 4,2 bilhões de orçamento deste ano do Senado é o dobro do valor que a Câmara de Vereadores de Maceió aprovou para 2017. A Lei Orçamentária Anual (LOA) aprovada no final do ano passado estabeleceu orçamento de R$ 2,3 bilhões para a capital alagoana, cidade que tem 1 milhão de habitantes. Além do pagamento dos salários de deputados, senadores e de milhares de funcionários, o orçamento bilionário serve para as regalias dos congressistas. O presidente da Câmara tem direito a uma mansão, na qual lhe servem duas arrumadeiras, dois auxiliares de cozinha, três cozinheiros, um chefe de cozinha, oito vigilantes, quatro motoristas e seguranças. Tem comida, carro oficial e um jato da Força Aérea Brasileira (FAB), tudo de graça. Além de mansão, o presidente do Senado tem à disposição um administrador, 12 seguranças, três cozinheiras, dois auxiliares de cozinha, duas passadeiras, três camareiras, três auxiliares de serviços gerais, cinco garçons, jardineiro e dois auxiliares. São regalias que, num contexto de crise como a que o País enfrenta, com alto índice de desemprego, corte de investimentos em áreas essenciais como saúde e educação, merece um debate mais amplo. A função pública tem uma liturgia que deve ser preservada. Um parlamentar precisa ter a dignidade necessária para representar a Nação e seu povo. Mas tais regalias excedem quando faltam medicamentos em postos de saúde, por exemplo.