Opinião
O combate ao tr�fico nas fronteiras do Brasil
O combate às quadrilhas que atuam entre os dois países é o eixo do acordo firmado na terça-feira, 31, entre o Brasil e a Colômbia. Ao anunciar o acordo, os ministros da Defesa dos dois países ? Raul Jungmann e Luíz Carlos Villegas, revelaram que os 1,4 mil km de fronteira entre as duas nações terão a segurança reforçada. No foco da nova estratégia de proteção fronteiriça, estão o narcotráfico e a imigração ilegal, crimes interligados. Os imigrantes ilegais são ?mulas? que transportam a droga que entra em território brasileiro. A aliança tem ainda componentes relacionados aos reflexos para o Brasil, do acordo de paz que resultou na desarticulação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Não custa lembrar que a paz selada entre governo e guerrilheiros colombianos enfrenta a reação de grupos dissidentes da facção. Mas são os itens que tratam do combate ao narcotráfico que deve mobilizar a atenção da sociedade brasileira em relação ao acordo firmado. Há cerca de dois anos, a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), organismo das Nações Unidas, divulgou um relatório sobre as estratégias internacionais de controle de narcóticos, no qual apontou o Brasil como o segundo maior consumidor de cocaína do mundo. A entidade lista os Estados Unidos como o principal mercado mundial da droga. Nosso Brasil aparece ainda como o maior consumidor de produtos que têm a cocaína como base, a exemplo do crack. O governo brasileiro, mesmo sendo reconhecido por estar comprometido com o combate ao tráfico de drogas, não teria a capacidade exigida para contê-lo através de suas fronteiras. As drogas continuam a ser um dos graves problemas de saúde pública no Brasil. E seu consumo, principalmente dos derivados, como o crack, aumentou expressivamente nos últimos anos, especialmente pela facilidade de circulação da droga vinda dos países fronteiriços, como a Bolívia, Colômbia e o Peru. Os três são apontados pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) como os maiores produtores de cocaína do mundo. É nesse cenário que a formalização dessa parceria entre as forças de segurança brasileiras e colombianas ganha importância estratégica. Afinal, fiscalizar as fronteiras de um País de proporção continental não é uma tarefa fácil.