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A FAL�CIA DOS QUE DENIGREM O DIREITO DO TRABALHO

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Dizem que o direito do trabalho e suas instituições são partidárias, que são tendenciosas, ultrapassadas e ditatoriais. Enfim, que a balança é viciada e só pende para o lado de que vende sua força de trabalho. Ora, ora, ora.... Esse discurso é justamente o que acusa ser: extremamente parcial. Diferentemente do futebol, não se torce por um time, tomando partido de suas cores e ojerizando qualquer outra agremiação. Se ilude quem acredita que apenas estão em campo os interesses de empregadores contra os de empregados. O maior objetivo do direito do trabalho é o desenvolvimento sustentável do País e da formação de riqueza da nação, interesse de todos os brasileiros. O direito laboral é a garantia de que o trabalho exista de maneira sustentável, estabelecendo regras mínimas para reduzir os conflitos nas relações. Trabalho degradante e informalidade estão para aquele direito, da mesma forma que carrinho desleal e chute na canela estão para o futebol. Não há virtude na exploração de mão de obra infantil, em aceitar que crianças substituam a necessária permanência na escola, vendendo bala nos cruzamentos ou cerveja para o turista na praia. Quem acredita em ?melhor trabalhar que roubar?, será refém do ciclo vicioso da pobreza, da falta de inovação, de uma juventude incapaz de alçar profissões e ciências que lhe empreguem com remuneração digna. O lucro do comerciante é inexistente quando a massa de consumidores, também trabalhadores, não tem ao final do mês capacidade financeira para comprar seus produtos ou honrar os compromissos vincendos. Aquele comerciante também perde porque o dinheiro ?não vai circular?. Uma indústria sem mão de obra qualificada, pouco evoluirá daquela registrada da metade do século passado que produzia bigornas, pé de cabras e âncoras. Será uma indústria incapaz de existir na sociedade do conhecimento e competir em um mercado cada vez mais globalizado. Ainda, a manutenção de um ambiente de trabalho hostil, que todos os anos mutila, acidenta e mata é o despejo de milhares de inválidos, aumento do custo da seguridade social e, consequentemente, o aumento dos impostos que a financiam. Por fim, uma sociedade fadada ao atraso ético e econômico é justamente aquela que não valoriza o trabalho. A coletividade que não respeita as garantias mínimas para a sustentabilidade da sociedade, que superexplora mão de obra ou sonega a seguridade social, perecerá.

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