Opinião
O que explica a viol�ncia no Pilar?
Uma jovem de 17 anos, no terceiro mês de gestação, sua mãe, de 41 anos, e o filho, de três anos de idade, foram brutalmente assassinados na madrugada da quarta-feira, 1º, no município do Pilar, região metropolitana de Maceió. O crime, conforme as informações oficiais, teria relação com o tráfico de drogas. A chacina teria sido praticada a mando de um traficante, cuja irmã fora assassinada no dia anterior, no mesmo município. É mais um número na estatística de criminalidade, numa cidade com um histórico de violência que se estende por pelos menos três décadas. Esse triplo homicídio, que obrigou a Secretaria de Segurança Pública a enviar um grupo de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para reforçar o policiamento na cidade e seu entorno, sinaliza para um realidade drástica, mas de conhecimento geral. Autoridades públicas, do Executivo e do Judiciário, revelam que a violência registrada no município não tem origem só na pobreza. Integrantes das classes média e alta da cidade também costumam resolver conflitos de modo violento, ou à bala, para usar uma expressão mais realista. Entre os habitantes de Pilar está uma boa quantidade de policiais militares, ativos e inativos, cujo acesso aos quadros da altiva Polícia Militar nos idos de 1990/1995 é até hoje motivo de chacota. A vários deles são imputados crimes, além de um comportamento pouco ortodoxo no desempenho da função pública. Some-se a isso o tráfico de drogas, um dos principais problemas da segurança pública em todo Estado, mas que no Pilar é intensificado por quadrilhas estruturadas, que matam e assaltam com uma frequência assustadora. As Polícias Militar e Civil cumprem sua função, fazendo o patrulhamento ostensivo, prendendo, concluindo inquéritos e remetendo-os à Justiça, respectivamente. Embora apresentem resultados positivos, o trabalho das duas corporações é, e de novo vale uma expressão popular, ?enxugar gelo?. Após uma, duas, três, quatro mortes, ou sucessivas prisões, com a desarticulação dos bandos, os criminosos se reproduzem com facilidade. A falta de políticas públicas nas áreas sociais talvez explique o batalhão de adolescentes e jovens atraídos pelo tráfico. Sem oportunidades no contexto social, é no crime que eles se sentem empoderados e inseridos. É o que intensifica e reproduz a violência no Pilar.