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Opinião

PATINHO FEIO

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A operação Lava Jato é constantemente acusada de ser excessivamente midiática. Não havia como não ser. Centrada na maior empresa do País, se ramificou tanto que já é considerada como o maior escândalo de corrupção do mundo. A força-tarefa encarnou nossa esperança de finalmente deixarmos para trás o País do compadrio, onde só se enriquece através de boas relações com o poder. O cidadão de bem sonha com um novo ambiente, meritocrático, onde vençam as empresas mais modernas e eficientes, atuando nos limites da lei. Uma outra operação, menos badalada, mostra que estamos muito longe disso. A operação Zelotes investiga um esquema de propinas para conseguir perdão de dívidas fiscais milionárias. A Zelotes não tem mocinhos personificados como Dallagnol e seu PowerPoint, nem um galã hollywoodiano como Sérgio Moro. Também não tem grandes vilões. Não prendeu famosos magnatas como Marcelo Odebrecht e Eike Batista, nem governadores e senadores no exercício do mandato. A Zelotes não tem o brilho da Lava Jato. Por isso mesmo, é grande candidata a acabar como a operação Satiagraha, do trapalhão Protógenes Queiroz, que terminou por não terminar. Investigações frustradas envolvendo banqueiros e grandes corporações não são exclusividade brasileira, como bem demonstra o desfecho da crise americana de 2008. A impressão de que vai acabar em pizza nem é, porém, o que mais preocupa em relação a Zelotes. O fisiologismo e a corrupção nas grandes obras e contratos públicos são verdades históricas nacionais (fazem 23 anos desde os anões do orçamento). Todo mundo sabia que as voluptuosas e universais doações eleitorais das empreiteiras tinham um preço, mas as listas de doações traziam também empresas que pareciam fazer parte de um outro Brasil. Empresas como a Gerdau, BRF (Sadia-Perdigão), Caoa ? Hyundai, Safra, Bradesco, Itaú, Cervejaria Petrópolis, se apresentavam justamente como a alternativa benigna para um capitalismo ético. Seus CEOs davam entrevistas e discursavam em fóruns reclamando do mal ambiente de negócios. São essas empresas que foram pegas com a boca na botija na Zelotes. Aparentemente, um ambiente menos corrupto e mais civilizado depende menos de boas almas com bonitos heredogramas de compliance do que de boas leis que desestimulem as más práticas. Um bom começo seria uma lei que proíba os Refis, que talvez recebessem mais mídia se fossem rebatizados de bolsa sonegador.

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